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terça-feira, agosto 10

Hoje sigo as memórias

“Ontem” as memórias seguiram-me, mas hoje (eu) sigo as memórias. Digo memórias, porque não passamos disso; de meras remanescíeis digitalizadas.
Digitalizados como fotografias; e agora fotografias peculiares. Somos parte do olho; somos retina e responsáveis pelo sentido da visão. Projectámos imagens e agora retemos “cópias”.
Hoje sinto-me pequena e sigo as lembranças. Mas sou pequena e contrasto com a tua imagem; tu és grande e corajoso. Tens altura em corpo e em espírito.
Tu tens a coragem que eu não tenho…ou tinhas. Porque agora foges(-me). Será que estou a confundir coragem com medos? Será que agora é que tens o ânimo?! O ânimo para me fugires não por não seres corajoso, mas por teres a coragem de o fazer. O que és tu e o que tens, afinal?
Já não sei se és grande ou se és pequeno como eu. Ou serei eu maior e tu menor que eu? Já não sei que tamanho é o teu. Julgo, que já não sei o que te enche o coração, se já nem conheço a palma da tua mão.
Tu que eras verde na esperança e vermelho na paixão és agora preto e branco nas memórias; Tu que me tinhas devolvido as sensações roubas(-me) agora as emoções; Tu que me aceitavas com os tempos conjugados ao contrário julgas-me agora pelos “meios”.
Meios termos e menos sentimentos. Mais períodos e meios tempo. Menos coração e mais afastamento.
O que te fizeram ao coração? O que me fez o tempo? Coração e tempo. Para onde fugiu o teu tempo? Onde deixei eu o meu perdido coração? Onde “deixamos” o coração quando ele precisou de uma mão? Coração e mão. Onde está a tua mão que me agarrava o coração? Onde perdi eu a (minha) mão que segurava a tua mão, que me segurava o coração? Onde e em que tempo deixamos a mão? Mão e tempo. Onde ficou o nosso tempo?
Hoje não são as memórias que me seguem, mas sou eu que as sigo. Não por medo de as esquecer, mas por receio de as perder. E hoje é o tempo das (nossas) memórias.
Memórias a preto e branco, memórias de cores perdidas. Hoje tens a cor de uma sombra; a sombra do que já foste, a sombra do que éramos. E agora, és a sombra, do que nunca serás!
Mas de que me servem as palavras se o coração está morto?! Para sempre… Porque
«desta vez é para sempre».Hoje és o meu mar de memória, a memória do baú que escolhi. E eu sigo-a.
«A partir de hoje disse para mim mesmo que não ouvirás o meu nome». É difícil, pois quando abro a janela, a lua mostra-me as estrelas, e as estrelas és tu. O teu nome é desenhado.
* Conexão com um texto escrito anterirormente: Hoje as memórias seguem-me: http://doce-amargo-sabor-do-pecado.blogspot.com/2009/08/hoje-as-memorias-seguem-me.html

segunda-feira, agosto 31

Hoje as memórias seguem-me

Os meus olhos brilham – “Não posso sentir saduade”, penso!
Estou entregue ao futuro que chorei, que lutei, que desejei e tu nunca tinhas sido o meu motivo de escrita directa; eras uma potente forma de equilíbrio; o meu suspensório.
“Egoísta” penso. Entendeste-me a mão; deste-me as tuas pernas para seguir em frente; encontraste a minha alma; e agora?!
Agora não escutas, porque não te dou a conhecer que hoje as memórias seguem-me – estás na imagem que te findei e não restou nada, só medos.
Culpa-me! A mim ingrata e egoísta.
Tu: tu que me devolveste as sensações; me devolveste os dias menos negros; te entregaste com tudo o que podias dar; que realizaste os meus caprichos; tu que escreveste comigo uma nova história, tu – só tu!
Tu – que me aceitaste com o meu pretérito perfeito, com os tempos conjugados no passado, sem vontade de os findar, apenas transpô-los no presente.
Culpa-me! Culpa-me mais uma vez. A mim e aos meus medos – controlada, fui esquecendo toda a lógica de um possível re-envovlimento: a confiança!
Fui domada por mim, pelos meus medos, e somei ainda os teus. Tive vertigens em arriscar e fiquei parada, a ver as sensações caírem pela cascata das minhas indecisões.
A ti te chamaram de boneco, eu cá chamei-te de estrela: estiveste perto de mim, mas agora sei que irás para longe e deixarás as memórias comigo, para me atormentar, para sentir saudades. Eu sei que queres que (te) recorde!
És a primeira pessoa que nomeio de estrela - prometo que te mostrarei a minha gratidão, embora de forma oculta mas consistente: irei noite sim, noite não, ao encontro da estrela mais brilhante e chorar um pouco da minha saudade: não a saudade de afecto do “amor”, mas de um carinho amigo.
Amigo: chamo-te em segredo, melhor amigo. Tu conheces-me de todas as formas: nos dias bons, nos dias maus. Eu cá conheço-te em todos os feitios, melhor do que ninguém, assumo. E por isso, sei que desta forma nunca me vais querer, é sempre pouco para ti – é apenas meia dúzia, da dúzia que tu querias.
Culpa-me se te fizer sentir melhor – acho que posso já sentir o que me vais dizer: “A pessoa que me ensinou tudo o que sinto agora, deixou-me para trás. Como se não valesse de nada!”
Não te deixei – apoiei-me antes em todo o teu afecto para sonhar, e conseguir o que nunca te neguei nem ocultei.
Sei que preferirás não me ter de maneira nenhuma, do que na forma incompleta.
Memórias, hoje são só memórias – entre soluços, quero apagá-las do meu disco interno, lembrá-las apenas pelo externo; mas as memórias seguem-me.
Pedir-te para me lembrares com o coração era demais; era injusto!

Recorda-me; do jeito que quiseres.