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terça-feira, março 8

Deixa-me ficar II

Hoje voltaste a despedir-te de mim para não retornares. E eu perdurei, novamente, apática até saíres. Optei por não te dizer nada, mais um dia, tudo porque as palavras depois de ditas não dão para apagar, e tu não sabes, mas eu ainda choro com as tuas, aquelas que me vais dizendo.
Podia ter feito o mesmo que tu, mas enquanto tu vais para voltares, eu vou habituando o meu corpo à tua ausência, o meu coração à tua inexistência e o meu rosto às gostas sujas. Gotas sujas por serem choradas por ti. Por seres tão sujo, quando voltas à noite depois de me dizeres todas as manhãs, por outras palavras, que «não há volta».
Hoje também me podia ter despedido de ti, mas em vez disso, deixei-me estar e chorei. Chorei e vou chorar todas as noites até não ter mais lágrimas para ti. Vou esfregar na minha alma as palavras frias que me dizes quando acordas, até ao dia em que já não seja preciso. Vou fazê-lo até que fiquem só cicatrizes do tempo em que estiveste. Pois, embora ainda sejas uma ferida aberta e eu ainda dei-te lágrimas sujas, em breve tu serás uma marca no tempo já sarada, e no me rosto já não cairão mais lágrimas sujas.




Deixa-me ficar para não mais sofrer. Vem aqui tornar-te um eu ausente do meu eu