Mostrar mensagens com a etiqueta amargo sabor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amargo sabor. Mostrar todas as mensagens

domingo, maio 11

Os grandes amores deviam ser para sempre

Sempre achei que o primeiro amor seria sempre o meu grande amor. Não acredito em dois grandes amores mas acredito noutros amores. Porém, são amores mais frios, menos cheios de amor. Eu posso ter a possibilidade de viver outro amor mas como é que eu vou vivê-lo, se já sei que não será um grande amor? Porque só existe um grande amor, eu já tenho o meu mas ele já não está aqui.

sexta-feira, maio 2

Como é que se diz adeus?


O meu primeiro e grande amor, está aqui e não está, vem e volta, diz que me quer e diz que não me quer. Isto não é de um amor certo, não pode ser amor. Eu estou aqui, não vou e digo que o quero. Isto é amor, é de um grande amor. Gostar da mesma pessoa todos os dias, querer ficar com a mesma pessoa todos os dias. Eu tenho um grande amor mas é errado. Eu posso ter o coração cheio mas o meu amor tem o coração vazio. Portanto, como é que eu digo adeus ao meu primeiro amor? Porque só o amor não chega, mesmo que o meu amor fosse capaz de encher dois corações.

sexta-feira, junho 21

Só um a amar

O meu primeiro e grande amor partiu sem me avisar, de mansinho e sem estar à espera, o meu grande amor foi indo, no entanto, não levou com ele o amor que lhe trazia. Contrariamente, o meu amor certo chegou sem avisar e de tão certo que era, era errado não aceitar que ficasse. Contudo, não pude pedir ao meu primeiro amor que, de mansinho, levasse o meu grande amor. De modos que agora sou só eu e o amor que me restou, do meu amor errado. Assim, quando o teu grande amor vai embora mas o amor que (lhe) trazes não vai, o que se faz?
 
Chloe ou eu

quarta-feira, junho 19

O meu grande amor não ficou

O meu primeiro amor é o meu grande amor, embora não seja o meu amor certo. Ainda gosto do meu primeiro amor todos os dias e já depois de outros amores. Deixei o meu amor certo ir embora para ficar com o meu amor errado. Este é o meu grande amor mas como errado que é, o meu grande amor já não está aqui.
 
Chloe ou eu

domingo, julho 17

Ate já

Tenho saudades de escrever aqui o amor, tenho. Gostava de ainda tentar falar sobre o amor sem sentir este nó na alma, gostava de ainda falar de ti para descrever o que é o amor para mim. É, tu eras a minha definição de amor, mas eu ainda não tinha conhecimento que o amor também doía, ainda não sabia que o amor também podia ser assim. Mas olhem, amanhã vou andar de avião e de uma maneira ou de outra vou voar, não com as minhas (nossas) asas mas vou voar. Vou reconfortar-me por entre as nuvens e pedir-lhes muito que o amor feliz volte para mim, para eu ainda te puder dizer o quão bonito tu és. A ti e ao céu, ao céu e aos outros. Existem por aí muitas pessoas bonitas, bonitas mesmo pelo coração lindo que carregam, existem pois, e nem devem ter conhecimento do quão bonitas são. É, eu já não sei falar sobre amor, não consigo dizer coisas bonitas, mas existem porque eu conheci-as, foram foi embora rápidas demais, eu ainda queria mais outros quatro anos ao lado de um amor feliz. O amor é bonito, só pode, toda a gente o procura, em todas as coisas há um bocadinho de amor, devia haver mais, mais amor pelas próprias asas, o coração vocês sabem, e depois mais amor a outras almas. Amanhã vou até ao céu e quando voltar conto-vos como foi, pode ser que as nuvens me tenham guardado umas novas asas. 

segunda-feira, julho 11

Eram ninhos III

- Tu não podes ir, não podes. Eu preciso de ti para me sentir bem. Para me sentir sequer.
- Eu preciso de ir. Há sempre um momento na vida em que todos precisamos.
- Tu não precisas.
- Ou não precisava. Já viste o quanto egoísta é ficar para te fazer sentir bem? Todo o ser evolui.
- O que é que isso tem haver?
- Já viste a extensão do céu, é maior que a do meu coração, pelo menos agora, é mais chamativa do que ficar com o meu coração. Neste caso com o teu, porque o meu está cortado, cortaste-me as asas lembraste? O único coração que ainda me lembro, que ainda tenho é o teu e é só um bocadinho, só um bocadinho pequeno.
- E onde é que está a evolução?
- Nenhuma alma estagna à porta de um coração fechado. Todos os seres evoluem, eu evoluo. A minha alma de pássaro. Mesmo que me tenhas aberto janelas, e com isso quero dizer colares-me as asas, já nenhuma ilusão me basta para ficar.
- Ilusão?
- É, quando visitas o meu ninho é para te deixares mais confortável, porque sempre foi assim, eu sempre te fiz voar mais alto, sempre te puxei para mais perto do sol. Sempre fui um bocado a tua luz, sempre te beijei as asas com mais carinho que todas as outras coisas.
- E onde está a ilusão nisso?
- A ilusão está quando eu penso que tu visitaste o meu ninho por mim e não por ti. Mas eu não quero mais beijar-te as asas, não quero, quero antes experimentar beijar as minhas ou um bocadinho do céu. Já não gosto que saibas onde é o meu ninho, sabias?
- Porquê?
- Porque não gosto que penses que me podes colar as asas, não podes, já não podes. Antes era a minha salvação mas agora só o céu pode ser. Não gosto de te ver, o meu coração fica sempre apertadinho.
- Porque ainda gostas da minha alma?
- Não, da tua alma não, gosto das memórias da tua alma.
- Faz diferença?
- Quando tu já não és o pássaro daquela alma faz. Já és só uma imagem da minha pequena cabeça. Não gosto que venhas ver-me porque depois fica tudo muito confuso para mim, como se o céu escurecesse e eu tivesse medo de voar, ou tentar, visto que ainda estou de asas cortadas. Não gosto que me venhas confundir as imagens, ainda gosto de guardar um bocadinho de ti.
- Então já não gostas de mim?
- Isso ainda te importa? É que já nada mudaria, eu já não trocava ficar com o céu para ficar contigo, já não, não ia suportar que me deixasses cair mais uma vez. Quiseste-me pegar, lembras-te, quisesses-te muito embalar-me e eu demorei muito a entregar-te um bocadinho meu, demorei a dar-me e quando me dei tu deixaste-me cair. Foste tu que pediste para tomar conta da minha alma de pássaro, foste tu que disseste que querias um ninho comigo, foste tu que me disseste amar-me.
- E se o céu te deixar cair também?
- É responsabilidade minha, eu é que quero o céu. Agora tu deixaste-me cair, deixaste-me cair e tu é que querias pegar em mim, tu é que insististe com as tuas promessas mentirosas, percebes a diferença?

sábado, julho 2

Eram ninhos II

- Tu para mim vais ser sempre um pássaro frágil e intocável. Devias estar naquelas caixinhas que proibiam o toque dos outros. Longe do toque mas perto da vista, muito perto, para embelezar os olhos dos outros.
- Falas assim e quase me parece amor.
- E isto é amor.
- Então o amor deixou de te chegar.
- Eu ainda não quero que toquem em ti, ainda quero ser a única alma voante a tocar em ti. Aliás eu devia poder ser o único a podê-lo para evitar que te magoassem.
- Deixaste de saber lidar bem com o amor, não foi? Lidar bem ou sentir que era bom. Deixaste de gostar de te preocupares se havia outra alma de pássaro que me podia querer tocar. O amor dá trabalho e deixaste de querer tê-lo. Mas nunca quiseste que me tocassem para não me magoar e esqueceste-te de aplicar essa regra em ti.
- Esqueci-me?
- Magoaste-me, tu magoaste-me. Já viste a ironia da situação? Nunca quiseste que me tocassem para não me manchar as asas e acabaste por ser tu a tornar os meus olhos de cristal. Acabaste por ser tu a parti-los em lágrimas. Um pássaro triste, um pássaro de almas cortadas.
- Queria ter evitado isso.
- Como quiseste evitar o meu contacto com outros céus. A dor era-me necessária para agora não me doer tanto abandonar este ninho, este ninho onde já nem queres parar para amar.
- Eu ainda quero estar por perto.
- Mas a minha alma de pássaro já não sabe se te quer ter por perto. É demais cristalizarem-me os olhos, é demais cortarem-me as asas, é demais pegarem num pássaro tão frágil e deixarem-no cair. É demais o que fizeste comigo. É demais eu tê-lo permitido por amor.
- Ainda consegues sentir amor por mim?
- Ainda não consigo deixar de me preocupar contigo. Ainda consigo ouvir o meu coração fora de mim a ansiar que passes pelo nosso ninho, ainda.
- E quando é que isso passa?
- Quando conseguir voar para fora deste ninho, mas não por tempos indefinidos, quando o conseguir sem voltar para ver se estás bem, por um tempo definitivo.
- Isso vai acontecer?
- Com o recuperar das asas vai. As minhas asas são o meu coração e tu cortaste-as quando te ausentaste do nosso ninho. Gostava do nosso ninho mais do que qualquer coisa, mais do que das minhas asas. Gostava mais de amar as tuas asas, o teu coração. Mas agora sozinha, preciso de novo das minhas asas, o nosso ninho já não chega, já não estás cá.
- Parece-me a mim que não encontras sentido para me teres amado.
- Está tudo muito obscuro, está-me muito longe da vista, muito, se é que ainda se pode olhar com uma visão tão cristalizada. Estou magoada. O sentido do amor está longe de me acalmar a dor. Estou sem asas, não penso com o coração, não o tenho. Teve sentido antes, quando o nosso ninho era a nossa casa, mas agora sou eu e os céus. Quero ser eu e os céus, quando recuperar as asas, para poder recuperar a fé no amor. Fui uma amante do amor, apaixonei-me por me ter apaixonado por ti.
- Como é que eu deixei escapar isso?
- Da mesma forma que eu deixei escapar o céu. Eu sou uma alma de pássaro e só o céu devia-me ser o suficiente. Mas nunca chega o que temos, nunca, nunca nos é bastante, somos insatisfeitos por natureza. Queremos sempre mais, mas queremos sempre o mesmo, chegamos sempre ao mesmo ponto, queremos o amor seja de que forma for.

sábado, junho 25

Eram ninhos I

- Por onde andas?
- Ando ocupada com a vida. Tem posto à prova a minha resistência, tem mas eu sou mais dura que isso. Tento ser, tento adaptar-me às mudanças.
- À nossa mudança?
- Também, cortaste-me as asas.
- E tu partiste-me qualquer coisa cá dentro, mas ainda não sei bem o que é, ainda não tive tempo de perceber. Mas disseram-me que estava de brilho perdido e motivação gasta.
- Encontraste outro ninho, talvez agora te possam preencher o que te falta.
- E tu?
- Eu tinha o meu ninho contigo. Parávamos quando nos cansávamos de voar e quando nos queríamos amar. Contigo eu sabia que podia ser livre, voava alto porque sabia que voltaríamos, voltaríamos para nos amarmos.
- E agora?
- Agora é como te disse, tenho resistido às circunstâncias da vida. Estou a pensar em ter o meu próprio ninho. O amor magoou-me. Não preciso de ninhos cheio de amor, posso ter um ninho meu, um ninho onde sei que não há ilusão. Assim, não me vai doer e ainda posso voar alto.
- E vais fazer isso toda a tua vida? Voar?
- Agora ainda não posso, ainda estou de asas cortadas. Vou preocupar-me em reconstruir-me, sabes, construir o ninho.
- E quanto às asas, como ganhas umas novas?
- Com o amor, o amor-próprio. O meu amor pela minha própria alma. E depois vou ganhar o brilho no olhar e a motivação para voar.
- Sempre foste tão independente, sempre a querer voar, que se calhar por isso é que achei que não precisavas deste ninho onde nos amávamos.
- Não, eu demorei mais no meu passeadouro e tu preferiste levantar voo para outro ninho, não tens a resistência à vida como eu.  Se calhar tu é que já não precisavas deste ninho, precisavas de voar mais, voar mais, para quando pousasses o amor ser o que te bastava.
- Mas agora se te vais embora deste ninho o que é que eu vou fazer?
- Não podes ter dois ninhos, não podes ter dois ninhos que incluam duas vidas diferentes. Cortaste-me as asas só porque me atardei. Cortaste-me o amor. O amor magoou-me, tu magoaste-me. Cortaste-me as asas e deixaste-me cair. É demais para uma alma de pássaro. Mas eu vou voltar a voar alto, um dia, longe das ilusões que nos deixam tombar. Não me perguntaste o que fazer quando procuraste outro ninho. Mas quanto a mim, vou ser sempre esta alma de pássaro, mas com menos fé no amor.

domingo, junho 19

Como uma carta II

R.,

Escrevo-te aqui – em silêncio – como nos tempos que ainda estavas por perto. A diferença está que agora eu escrevo-te enquanto exibes para o povo o teu novo ser e eu fico por aqui a lamentar o tempo em que decidiste ausentar-te de mim. E que falta esse teu tu podia fazer em mim, não fosse esta outra dor maior do que a de não estares aqui. Esta de trocares o amor.
Mas começam a faltar-me as palavras, ou começam a ficar-me gastas. Como este amor. Gastas como se estas se tratassem de solas de sapatos velhas, as palavras. Ou as solas, como se eu gostasse muito daqueles sapatos e só os quisesse usar. Como as palavras, como se gostasse muitos delas e de te as dirigir e acabasse por gastá-las. Tal e qual como se gostasse muito de ti e só quisesse ficar contigo, mesmo com as palavras gastas como solas de sapatos. Mesmo connosco apagados.
Mas antes fosse só as palavras e tão pouco este amor. Foste o meu primeiro e único amor. O tempo não deu espaço para mais, não tivesses tu sido mais aliciante que a duração. Mas antes preferia que o tempo no mundo se tivesse gasto do que este amor que quase jurei perpétuo. Antes queria que as palavras acabassem e só se concebessem gestos, antes queria isso do que ver este amor gastar-se.
Mas eu devia ter sido mais esperta que o tempo, sabes, eu podia ter-me despedido numa outra vez em que quiseste partir (ou eu) e assim não se teriam perdido os gestos ou palavras. Talvez assim eu ainda te conseguisse amar por o saber exprimir ou tu pudesses caminhar por saberes falar. Talvez eu ainda possuísse as palavras e tu os gestos. Talvez eu ainda te pudesse falar e tu ainda me pudesses tocar.
O tempo já não me deixa saber e tudo o que sei do espaço é que está deserto. Costumas saber-me a saudade mas hoje só me sabes a um buraco em branco. Deve ser isso o deserto, um espaço por coabitar. E se for é tão parecido comigo, também eu um vazio. Um espaço por preencher.
Se calhar não há falta de gestos, não falta de palavras, se calhar sou eu que sou um corpo vazio de vida e cheio de amor - amor este que já não me leva a lado nenhum. É isso R. não é? Ainda te vejo cheio de vida mas tão oco de amor. Sou eu que sou possuidora de um amor vazio, um amor que só podia ser cheio se tu não te tivesses ausentado, sou eu tão vazia de vida por já não saber articular-me para outra direcção. E és tu tão cheio de vida por te teres movimentado para outro amor, mas tão vazio por te fazeres desconhecedor de que o amor só o tens comigo. Mas eu vazia ainda sou tua e tu cheio és tão pouco meu. Não devia ter sido eu a prender-me ao amor, talvez assim pudesse não ser tua.
Oh R. cada vez tenho menos saudades de sermos cheios. Oh R. cada vez quero mais ser coabitada neste meu espaço tão vazio de vida. Oh R. cada vez quero mais que o vento leve este amor para que não seja mais tua – já que ainda só o sou por ainda te amar.
Ainda te amar mas já não querer este amor pelo deserto que é. Pelo deserto que é amar alguém mas ter um buraco vazio. Pelo gelo que é amar-te. Oh se ainda te amo R., se amo. Ai mas como não sinto vontade de o fazer. Pelo frio que é amar alguém que desiste de nós. E alguém que nos ama, alguém que nos ama e desiste de nos amar. Que frio que faz quando alguém que quer realmente ficar connosco desiste. Desiste por medo, por falta de coragem. Ai que deserto que é quando ficamos só com o nosso amor e sem o outro para amar.
E que bom seria já não sentir saudades tuas, como não quero senti-las. Oh se me fazes falta R. Já ninguém quer aquecer-se comigo. Oh todos sabem que vou ter sempre frio, todos sabem, porque nenhum é como tu. Mas podia ficar mais fácil quando vais embora: menos deserta, menos frio, menos amor. Mais cheia de outras coisas.

Menos (um bocadinho) tua,

Eu

segunda-feira, junho 13

Como uma carta I

R.,

Ainda podias ser o meu R., sabias? Não o R., mas o meu R. É, e eu infelizmente ainda queria que tu fosses meu. Mas por circunstâncias que tu escolheste tu já não estás mais aqui e já não és mais meu. Não um meu entregue porque hás-de sempre ser um bocadinho meu – nem que isso seja nas memórias – mas já não és meu e passaste a ser de alguém, e quanto mais cedo eu aceitar isso melhor. Isso e o facto de já não seres o meu amor, não o meu amor mas para sempre o meu grande amor.
Ainda queria poder amar-te de outra forma que não no silêncio, e ainda estou a aprender a fazê-lo, tu sabes, a esconder os meus sentimentos, ainda estou porque estive contigo por quatro anos e meio e tudo o que fiz melhor foi amar-te, mesmo por entre todos os buracos escondidos de quando nos separávamos por algumas semanas ou meses, tudo o que fiz foi durante estes anos amar-te incondicionalmente nas tuas idas e nas minhas vindas.
Ainda te amo – ainda que cada vez mais em segredo – e amo-te mesmo depois de te ver largar o meu coração sem qualquer tipo de contusão, ainda te amo mesmo que agora sejas tu com o teu orgulho e tu sem alma alguma, ou tu uma pessoa desengraçada, amo-te mas já não o pronuncio em voz alta, porque tornou-se assustador – não só este sentimento mas tu.
Não havia ninguém que fosse tão casa como tu, ninguém, não havia melhor ponto de fuga, não havia melhor pessoa. Não havia melhor lugar para estar que não o teu coração. Mas já não sei se tens um agora, já não sei porque deixei de conseguir descodificar-te por todas as atitudes e mudanças que carregas em ti. E tu não sabes como custa, tu não sabes como custa perder a melhor pessoa da tua vida para o tempo, e depois do tempo para outra pessoa. Eu perdi não só o meu namorado mas o melhor amigo. Perdi-o(s) quando desististe de mim.
Eras a única pessoa que não podia ter desistido e lembrar-me disto dói-me muito, ainda me dói muito e todos os dias, não fosse eu ter-te feito pensado que tinha desistido primeiro, e não fosses tu pensar sequer que isso era possível, não fosse eu amar-te com tudo o que tinha. E podiam ter desistido tantos outros, só não podias ter sido tu, tu que nunca me pareceste provável de o fazer, tu que me fizeste acreditar que tu serias a única pessoa que não ia desistir nunca de mim.
E no meio disto o que é que me sobra, se a tua mudança desgastou o meu coração e a minha pequena alma? O que sobra se não o meu corpo sem rosto? O meu rosto era feito do olhar e eu perdi o meu, talvez porque o teu fosse reflexo do meu, mas eu perdi-o, e isso é a coisa mais triste de se perder. Mais do que perder a alma, mais do que isso, é perder o olhar, porque é tão difícil recuperá-lo, tão. Como este amor. E logo eu que sempre disse que enquanto acreditasse no nosso amor ia continuar a tentar, não consigo mais. Não consigo porque tu me deixaste tão distante do lugar onde me queria achar, tão distante, tão afastada do teu coração. E a esperança no meu olhar apagou-se.
Como todas as coisas que fui desenhando para ti, parecem-me tão distantes agora e tão longe de me completarem. Tão apagadas. Tão fundas como as minhas feridas. Pergunta-me onde estão as minhas maiores feridas, pergunta-me que eu respondo-te que estão no meu coração e foste tu que as deixaste. E todas abertas. O meu coração desnudou-se completamente e eu não deixei o meu coração como tu deixaste que eu fosse embora. Eu não o deixei, como tu deixaste esquecer-te de mim.
E como eu não queria que te esquecesses de mim, mas queria tanto esquecer-me de ti, para não me lembrar daquilo que nunca foste por mim, porque não podes ter sido, se não nunca me tinhas deixado ir, ou deixado desesperada a interpretar minuciosamente todos os gestos que compartilhamos para ver onde (te) falhei. Onde te falhei, ou onde nunca optei pelo caminho mais fácil – desistir.
E estupidamente acreditei que nós partilhamos o que às vezes nem se encontra- o amor sabes? Pelo menos eu sei que partilhei, mas espero que te venhas a esquecer disto, porque em mais nenhum dia te vão amar assim – de maneira quase perpétua. E ama-se poucas vezes. Quer-se cuidar do outro poucas vezes.
E espero que saibas que desta vez eu estou mesmo magoada, como nunca antes, e que podemos namorar por quem nos apaixonamos e gostar de quem amamos (simultaneamente), e se calhar por isto, é que mesmo magoada vou sempre gostar de ti, porque eu amei-te de verdade e para valer, mas tu não soubeste ficar com isto, ou retribuir-me, e eu nunca vou esquecer como me magoaste desta vez.
E eu vou deixar de sentir a tua falta, ou pelo menos vou aprender a viver com ela, ou com o insucesso de um dia te ter entregue o meu coração. Não o penses como teu para sempre, não o faças. Porque desta vez tu magoaste-me muito, muito, mais do que eu possa escrever. E se eu soprar, o pó vai embora, mas seu eu te soprar a ti e às dores que me deixaste, vais embora como o pó? Bolas, tu já foste…falta só a dor. E as promessas por cumprir.
«Não te vou deixar nem quando as galinhas tiverem dentes». E esta foi a maior promessas por cumprir ou mentira que me cravaste. Ou então cresceram dentes às galinhas e eu não fiquei a saber.



Para sempre um bocadinho tua,
Eu com um adeus

quinta-feira, abril 28

Olhos para (não) ver




Hoje – num dos tantos dias que fiquei para dormir contigo – senti que não pertencia a este espaço. Ao teu espaço. Reparei eu – enquanto o sono não vinha - que o teu quarto é azul, que a tua cama é – demasiado – grande e que nessas fotografias que vais pregando nesse quadro de cortiça eu não estou em nenhuma.
Vê lá meu amor, foi preciso o sono não me vir, para ver os quão afastados estamos nós. Ou o quanto distante eu estou do lugar onde me queria achar - o teu coração.
As paredes do meu quarto – tão desiguais das tuas - estão cobertas com os teus retratos, estão cheias de poemas que para ti rabisco e ainda odorizam à transpiração que tu deixas - quando ficas para dormir. Já viste o quão próximo eu te mantenho de mim, como me deixo penetrar de amores por ti?
Mas tu não me envolves no teu espaço meu amor, e por isso eu decidi que ao amanhecer, já não estarei aqui para te ver acordar. Os meus passos não seguirão mais os teus, porque na tua alma não me encontro eu. Tu nunca quiseste calçar o amor comigo, calçar-te nele, nós os dois. Pequeno erro meu, aperceber-me só agora, do quão longe tu caminhas.
De hoje não passa meu amor, eu cansei-me desta melancolia de alma e fugi, sem fazer barulho, fugi ou preparei-me para me ausentar de ti. Mas tu acordaste – deve ter sido do meu choro sem lágrimas - e perguntaste-me onde ia tão cedo, e eu disse, que me ia embora. Não abonaste muito significado – mais uma vez – e eu repeti-me, vou-me embora meu amor, mas não volto, os meus olhos castanhos ternurentos, cansaram-se hoje de olhar para os teus. Esses teus, de olhar tão característico, de cor clara, de confiança experimentada, cansaram os meus, mais escuros, agora de criatura tão abalada.
Respondeste-me - sem olhar para mim - que nunca cá tinha estado. E eu chorei mais uma vez, mas sem lágrimas – como se eu fosse o mar e tu areia, areia seca, por já não ver mais mar.
Só agora percebo porque é que os meus olhos me pediram para não encontrar mais os teus. Roubaste a emoção. Cansaste-os com essas tuas palavras imponderadas. E eu olhei, uma última vez, para esses teus olhos, e disse, estou cansada que nunca tenhas levantado o rosto e tenhas aberto os teus olhos - tanto quanto pudesses - para veres que os meus, estes que estiveram sempre e só abertos para ti, meu amor. Estou cansada que nunca os tenhas levantado, para veres que estava aqui. Olhei-te tempo demais e cansei-os.
E devo ter-me tornado apática, porque não senti nada - mais nada - quando fui. Nem quando me escreveste um bilhete a dizer, devias ter tido mais robustez e permanecer comigo porque foi pelo teu olhar que me apaixonei. E eu podia ter-te respondido - mas nem isso a dormência me deixou fazer - um dia a esperança morreu no meu olhar, a minha esperança em ti, e os meus olhos fecharam-se, para nunca mais abrir. Pelo menos para ti.


Mais um, mais um que podia ser um recado meu para ti.

sábado, abril 23

Ferida aberta




Já não te vejo há tanto tempo, meu grande amor, que embora conhecendo-te de cor, já não sou capaz de decifrar o que assoberba esse teu coração inerte.
Um dia - em tempos - fui um pedacinho eu. Eu preenchi, docemente, todas as armaduras desse coração – ou qualquer coisa que dele sobrou – áspero. Fui eu - um dia – que limei essas armaduras sujas que te deixaram golpe e que cosi – sem saber pegar numa agulha - toda essa abertura que acabou contigo.
Sem trespassar qualquer ferida, fui eu - em tempos - que cuidei de ti, meu grande amor. Levei-te para casa, depois de te descobrir gasto – como se tu fosses uma sola de sapato velha - e amei-te com todo o afecto que possuí. Fui recheando essa cova que tinhas no peito e tornei-o um coração. Depois tentei fazê-lo crescer, crescer de amores por mim.
Sem curativos velozes, só eu com a minha paciência, fui esperando, que todo o amor que te ia dando me recompensasse. Eu tentei plantar amores nesse teu espalmado buraco - depois de o fazer coração - e esperei colher os proveitos. Esperei que chorasses os sinais mal costurados, que estes se rasgassem com as convulsões da dor, para que depois - juntos – pudéssemos perdermo-nos nos filamentos dos nossos corações e enovela-lo num só.
Em tempos - quando ainda acreditava - fui eu que te fui enchendo a alma, ao contar-te os sonhos. Todos os dias – quando amanhecia – acordava-te com o sussurro de um novo sonho. Um sonho bonito para fazer renascer um coração feio.
Mas já não te vejo já tanto tempo, meu grande amor, que já não sou capaz de decifrar o que te enche esse coração – que um dia foi feio. Apenas sei, que em tempos, foi a dor que eu curei - na esperança que um dia fosse eu – que encheu esse teu coração. Mas hoje, embora conhecendo-te tão bem, eu já não sei o que trazes nas entranhas da alma, porque tive de partir. Perdi-me a secar o teu desgosto e quando voltei a descobrir-me já estava a sujidade a penetrar-me na alma. Tornei-me amarga por tanta amabilidade que te presenteei - mas infeliz de ti que não tens culpa que te tenham aberto o coração.
Mas tu nunca ousaste retribuir os sonhos bonitos que te contei, disseste-me apenas palavras frígidas que me iam dilacerando o coração, e eu tive de partir. Eu tive de partir, porque eu também preciso que me encontrem e me levem para casa. Eu também preciso que me amem com todo o amor que possuem. Eu também preciso.


Este podia ser mais um recado meu para ti.

quarta-feira, abril 13

Um grande amor nunca morre



Continuei a amar-te – ainda que em segredo – mesmo depois de te ver largar o meu coração – sem escrúpulos - continuei, incrédula, no mesmo sítio que tantas vezes tu foste e vieste, nós fomos e voltamos, eu fui e regressei. Fiquei eu, lá, de coração na mão, mas ainda assim a amar-te – mesmo que agora sejas tu com o teu orgulho e tu sem alma alguma – na avenida que podia ser a nossa casa, e talvez por isso, eu tenha permanecido lá, quebrada, mas sempre a amar-te – porque um grande amor nunca morre.
E ainda aqui estou, a ensaiar a apatia, para quando voltares a passar nesta avenida, e ainda me vires de coração na mão – embora esse seja o mal menor – e depois reparares que na outra mão, ainda puxo um filamento do outro coração - o teu mais concretamente - mas estou aqui, enferma, a ensaiar a indiferença, para quando voltares à avenida – aquela que podia ser a nossa casa – para reclamares o todo do teu coração, não veres que me estás a matar.
E se ainda não me viste, aqui deitada, sem interior algum, eu queria que me matasses devagarinho – se não fosse pedir muito - ver-te puxar filamento por filamento, preferia que fosse ao de leve, tal e qual da maneira como chegaste e curiosamente da maneira como foste – de mansinho.
Mas enquanto não vens, estou aqui, com o amor que nos sobrou e pouco - ou nenhum - amor-próprio. Mas pouco importa porque quero mais salvar o teu coração do que o meu, porque sem o teu coração, já não sou eu.
E embora, às vezes, pareça que já não tenho forças, mesmo que tu não tenhas vindo à nossa avenida, renunciar o teu coração, parece-me a mim que estás a levá-lo, a arrancá-lo sem piedade – como se o teu coração fosse uma corda. Mas mesmo que pareça prestes a ficar sem qualquer filamento teu, eu não posso desistir, porque eu prefiro esfolar os joelhos, apagar a alma e cansar o corpo, para o resto de nós não se romper e para correr atrás do que sobra de ti – porque tu és o meu grande amor e um grande amor nunca morre.
Não importa se eu morrer, só não podes morrer tu, porque tu vais ser o que vai restar do nosso amor, como prova, que um grande amor nunca morre - pelo menos não de todo.
Depois disso, de morrer, eu já posso ir renascer num outro corpo, porque tu serás o meu grande amor, mas só neste meu corpo - ou no que resta dele. Preciso de conquistar um pouco de amor-próprio, depois de morrer, e só poderei fazê-lo noutro corpo longe do teu. Porque se não seria de novo uma tentação, quereria então eu morrer depois de nos apaixonarmos, e de pouco depois, ficar outra vez de coração na mão. E um corpo a ressuscitar de um amor deste, daqueles amores nunca morrem, demora muito, muito mais do que eu possa contar. Porque um grande amor nunca morre. E eu hei-de morrer.


Este podia ser um recado meu para ti.

sexta-feira, dezembro 10

Não estavas

Hoje foi o primeiro dia que cheguei e não sorri para ti!
.
(mas só) porque não estavas lá.
Não apareceste!

sábado, dezembro 4

Foste embora III

Foste embora e eu já não devia pensar nisto. Se na altura já devia estar preparada, agora já não me devia dizer nada. Nem isso me devia dizer nada, nem tu me devias dizer algo.
«Queres estar comigo? Sem querer apanhar nada a meio ou estar no meio.
Eu queria estar contigo para realmente estares comigo.»
.


As entradas repentinas também já são rotina. Quase como tu ires: ires e vires sem nunca ficares. Ires para ficar e vires sem realmente voltares. É rotineiro...e cansativo!
É isso e, gostar de ti quando te vejo. Que não pode ser definição de nada, mas tu aceita-lo. Aceitas levemente a fuga ao(s) (verdadeiros) sentimento(s). Pois no fundo, o que te assusta é o mesmo que me assusta a mim: não é quando nos vemos, é saber que nos podemos ver…
O que nós queríamos, era termo-nos por inteiro, mas sempre com prestações. Queríamos muito, mas um muito controlado. Queríamos desiludir-nos, eu contigo e tu comigo. E tu foste embora, e isso, maior desilusão não me podia ter causado.
«Queria ver-te e queria tocar-te. Perguntei para saber se estávamos em sintonia.»


Mas tu foste embora…e agora não me venhas com falinhas mansas…
(porque sabes que eu adoro!)

quarta-feira, novembro 3

Pedra em troca de coração


Tento aquecer o teu coração mas tem-lo solidificado. Tento dar corda ao teu coração mas têm-no desbastado. Tento chamar o teu coração mas tem-lo parado.

«Mas só queria dizer que eu tenho um coração por mais frio que pareça.»

.



Estás enganado, no lugar dele, está um pedregulho.
E ainda posso ouvir o estalar da calçada.

domingo, outubro 31

Foste embora II


Tu dizias:

«Eu gosto de ti Mafalda e gostava realmente de tentar ficar contigo».
Contudo, foste embora, e eu sempre soube que ias.

Eu sempre soube… E ainda assim, mentia um bocadinho, ao coração, em jeito de acalmia, que já chorava por ti, e escondia-me nas fugidas contigo, para me esconder do tempo em que ias.

Ainda hoje não sei se chore ou se reaja!
Já não sei como se chora, e já não sei como se olha (noutra direcção).

sábado, outubro 23

Foste embora I

«Gostava que tivéssemos dado continuidade a coisas que demos inicio.»





Lembro-me de ti, mas (já) não penso em ti! E tu: «o mesmo»!
Foste embora… E agora, eu choro ou reajo?!

sexta-feira, julho 23

Mafalda e as parecenças com o chocolate

Lembraste quando ontem à noite fizeste leite de creme com cobertura de chocolate e depois quiseste inventar e misturaste leite condensado e trituraste uns pedaços de chocolate amargo para adicionares como cobertura ao teu doce?
Pois bem, sinto-te tal e qual esses pedaços de chocolate:
triturada, amarga e (um) "anexo"!

quarta-feira, julho 15

Jogo


Quando nos interessamos por alguém, nunca sabemos se o nosso peão fica por baixo ou continua de pé. Lançamos os dados, e muitas vezes nem queremos olhar para o restos dos quadrados, pois raramente entendemos que existem outras duas ou três combinações.
É sempre um mistério até saber se o resultado foi: um e quatro, cinco e três, dois e um, ou seis e seis.

Connosco, quando os dados cairam, os peões tremeram, como o meu olhar, que balançara entre o medo e ansia.

Tu levantaste a cabeça e sorriste - seis e seis. Começamos a conversar e apercebi-me que os dados estavam certos.

Mas à medida que crescias, os números cresciam contigo. Na verdade sempre foste um herói, um herói cobarde mas um herói. E já estavas lá à frente.

Eu continuava na casa da partida, não sei se cega com o teu olhar de "mar", se "puxada" pelo vento para não "andar".

Quando comecei a perceber porque eras diferente de todos os outros, e que queria ir atrás de ti, encontrei-te sentado no banco dos segredos. Não sei se à minha espera, se a desfrutar desta vida de herói ou a rir "da comum mortal", que era eu.

Na verdade, eu vi-te com bons olhos, achei que ias ser a música mais harmoniosa do possível novo capítulo da minha vida, o sol das minhas madrugadas e que me ias fazer saborear o momento mais amargo dos meus pecados.

Tu foste tudo isto: o herói da (minha) vida, a mais linda página do meu diário, a mais querida vigula dos meus dias, o maior amor dos meus tempos.

Agora és a ausência do meu coração, e só queria comer queijo até (te) esquecer.

Já não sei é se queria aprender contigo, o que fizeste comigo, e - roubar tempo ao tempo, para roubar o teu coração, para ter tempo para te dizer que se pudesse tinha vivido mais devagar, só para o tempo me dar tempo de te olhar, mais um bocado, neste tempo.

Mas a ti, não te devolvo estas palavras: tu que me enganas a mim para te enganares a ti; que és tão firme diante da multidão mas ficas tão perdido e estendido no chão, quando ficas a pensar num perdão.

Hoje desprezo-te, porque não tenho um sorriso para te mostrar, e aposto que se for lançar os dados o resultado jámais seria: seis e seis..

A “nossa máquina” diz: Game over!
(Ínicios de Maio)
* Amor,
a tua expressão diz-me que estás mal -
fala: não guardes para ti! (Ele…)
Como é que algo pode estar mal,
se estás aqui comigo,
de novo? (Eu…)