- Estou aqui.
- Porque é que voltaste?
- Lembraste quando me perguntaste qual era o ano que escolhia viver de novo? Foi fácil, foi demasiado fácil perceber que escolhia o ano em que começamos a namorar. Mas espera, depois de pensar mais, eu percebi que não era pelo ano, era por ti.
- Porque é que foste?
- O amor é complicado.
- Deixei de acreditar em muita coisa quando foste. Não deu para fechar os olhos a esta partida, não foi como as outras.
- Não quero partir mais.
- Não sei se quero ficar mais. O amor é complicado.
- Mas tu não desististe de mim até aqui. Eras capaz de ir embora agora?
- Eras tu capaz de colar o coração que partiste?
- A culpa é minha, eu reconheci-a quando tirei as vendas. Tratei mal o amor, tratei-te mal a ti. Não merecia, não merecia que alguém gostasse de mim como tu gostas. Mas gostas não gostas? Então não faças como eu, não deixes que te roubem o saber amar, a vontade de amar.
- Mas foste tu a fazê-lo, não foi mais ninguém.
- Sabes que se estou aqui é porque nunca fui realmente, não sabes?
- Eu sei, mas não queria que tivesses precisado de outro corpo para perceber isso.
- Sabes que não conheci pernas que se encaixassem tão bem nas minhas como as tuas, não sabes? Ou dedos que se entrelaçassem tão bem com os meus. Ou beijos, beijos que me roubassem o fôlego mas que me fizessem desejar mais. Sabes que não há ninguém que ocupe o teu lugar quer queiras ou não ficar comigo, não sabes?
- Porque é que só descobriste agora que só se ama uma vez na vida?
- Voltas a ficar comigo?
- Só tenho um coração. E o que tenho pertence-te.
