sexta-feira, setembro 2

Ainda pode ser amor

- Estou aqui.
- Porque é que voltaste?
- Lembraste quando me perguntaste qual era o ano que escolhia viver de novo? Foi fácil, foi demasiado fácil perceber que escolhia o ano em que começamos a namorar. Mas espera, depois de pensar mais, eu percebi que não era pelo ano, era por ti.
- Porque é que foste?
- O amor é complicado.
- Deixei de acreditar em muita coisa quando foste. Não deu para fechar os olhos a esta partida, não foi como as outras.
- Não quero partir mais.
- Não sei se quero ficar mais. O amor é complicado.
- Mas tu não desististe de mim até aqui. Eras capaz de ir embora agora?
- Eras tu capaz de colar o coração que partiste?
- A culpa é minha, eu reconheci-a quando tirei as vendas. Tratei mal o amor, tratei-te mal a ti. Não merecia, não merecia que alguém gostasse de mim como tu gostas. Mas gostas não gostas? Então não faças como eu, não deixes que te roubem o saber amar, a vontade de amar.
- Mas foste tu a fazê-lo, não foi mais ninguém.
- Sabes que se estou aqui é porque nunca fui realmente, não sabes?
- Eu sei, mas não queria que tivesses precisado de outro corpo para perceber isso.
- Sabes que não conheci pernas que se encaixassem tão bem nas minhas como as tuas, não sabes? Ou dedos que se entrelaçassem tão bem com os meus. Ou beijos, beijos que me roubassem o fôlego mas que me fizessem desejar mais. Sabes que não há ninguém que ocupe o teu lugar quer queiras ou não ficar comigo, não sabes?
- Porque é que só descobriste agora que só se ama uma vez na vida?
- Voltas a ficar comigo?
- Só tenho um coração. E o que tenho pertence-te.

segunda-feira, agosto 15

Que sejamos merecedores do destino de Vénus

Eu só vos quis vir aqui dizer que o amor merece sempre tudo de nós, merece sempre mais, sempre mais uma tentativa quando é amor. Pensei eu que o amor tinha morrido, não o matemos nós agora, porque eu ganhei uma, nós ganhámos mais uma tentativa. E espera fazer-se do (velho) amor qualquer coisa. E qualquer coisa pode ser amor. Era isto, doces almas voantes.

sexta-feira, agosto 5

Ontem contámos estrelas

Não te disse, mas fizemos das coisas mais bonitas que há para se fazer aqui de baixo quando contamos estrelas. Quiseste ficar comigo a contar estrelas, mas se tu soubesses o que são as estrelas, inculpada alma. Eu não te disse porque não sei se ias perceber, não sei se te ia fazer entender que para mim, quando se contam estrelas parece que se estão a contar sonhos. Não te queria assustar e por isso não te disse o quão mais bonito achei o teu coração depois de contarmos estrelas. Quando se contam estrelas estão a partilhar-se almas, sabias? E os sonhos são uma forma suave para se entrar um bocadinho no coração do outro, também não deves saber. E olha ontem fizeste o teu espacinho crescer no meu, tudo em silêncio, ainda mais bonito. Também não sabes, mas eu podia ficar contigo até ao amanhecer a contar estrelas para depois te falar sobre o sol. Ou eu até podia morar contigo debaixo das estrelas. Até me podia estar a apaixonar pelo teu coração bonito – depois de o ver por baixo das estrelas - isto se ainda soubesse como me apaixonar sem ser pelas estrelas, ou por conta-las. Ontem contámos sonhos.