quinta-feira, agosto 13

Distância III

Mafalda diz:
Gostava de tempo…

PEQUI diz:
Eu gostava de te ter…


Como é grande a nostalgia, Ana;
Queria voltar o tempo – não emendava nenhum dos laços que traçamos, nenhuma das linhas que ligamos, e muito menos nenhuma das pontes que criamos; trocava antes todo o silêncio que guardei com medo de ser um “entupimento”, em dias que o sol estava obstruído pela montanha, por dias de sol, em que era tão fácil falar contigo da saudade e cantar uma, duas, três ou sete músicas das “nossas escadas”.
Sabes, ando sempre pé a pé com a”nossa saudade”;
Milhares de curiosos, interpelam na rua o meu corpo nu de saudade, as feridas de quem sente a falta, os olhos de quem precisa de alguém que está longe; e perguntam-me “Mas o que é a saudade para ti?” – aí eu respondo: a Ana!
Uns tolos riem-se – uns porque acham que a saudade não têm nome; outros porque após mais “toques na ferida”, sabem que vives a milhas; Mas sabes o que te digo? Não sabem o que é sentir – mas aqui as forças faltam-me para explicar que um mar não é um entrave mas uma forma de conhecimento, fico-me na coragem de lhes dizer, que como tanto me dizes, “não têm espírito aberto para sentir” – aqui pego na minha fraqueza, na “tua falta” e na nossa simbologia – a cruz, a cruz que me depositaste “com tanto amor”, para estas horas de nostalgia, meto-a ao pescoço e vou contigo, para todo o lado.

A saudade e eu somos as melhores amigas; estás a entender as minhas entre linhas?! A saudade é parte de mim; e tu andas sempre de mãos dadas comigo.

Mas tu és mais forte que eu: porque agora falas na falta da minha voz, eu vou logo para falta da tua presença. Do outro lado, oiço-te dizer, tentando ser serena a esconder a lágrima que cai, após complementar essa riqueza interior - “Temos de ter outras armas para combater tudo isso!”

Somos sílaba por sílaba!
“Sabes tão bem falar por nós” – rematas.
(Meios de Julho de 2009)

terça-feira, agosto 4

Gritos

Um acto de expressão de o ser humano - é reanimante, consolante, revitalizador!
E é ressacada de um acto de manifestação, que me desloco em saudade e sobrevoou por cima das minhas camadas; Assento em longevidade.
Com a saudade na mão e o erudição nos pés; Gritas ao meu lado, como se o desconhecido fosse um desentendido – e aí é-nos dado o conhecido.
Fizeste reinar em mim um grito de mudo de vitória: sinto que ganhei mais um pedaço de expressão.
Grito terminantemente o terror que é sentir-me em lupings; a montanha russa, abriu-me os olhos para vomitar na torre da confiança os dissabores.
Tenho muita nostalgia encravada para expelir; doce saudade!
Esta é a recompensa: descer! Mas estou expressamente muda.
Buzz, gritem; enquanto caminhais tu nestes percursos, onde nos fazeis abrir: uma fotografia, um carimbo, brilhante e memórias – a única coisa que (nos) fica, ou resta, digamos antes.
Sabes (tu) reflectes-te tu muito por aqui, mas como lusofusco em gritos amedrontados muitas vezes, não sei em que plataforma me segurar, para recuperar a minha voz congelada.
Empurraste-me muitas vezes mas não me embebeste; depois penduraste-me em ti mas tinhas medo de mim – AAAAH!; gritavas tu, depois de mim.
Desconheço em que grito isto é validamente expresso. Mas enquanto (me) aterro, o mesmo pensamento é ditado – valeu a pena!
O grito da saudade, o que conduz agora o (meu) caminho.
Mas sinto-me a perder a capacidade de guardar um grito nostalogico sozinha.

Cativam-nos assim uns aos outros!
E que o veneno humanizado, não se torne uma ponte entre nós.
(Meios de Julho de 2009)

sábado, agosto 1

Verbo amar

A presença da tua última imagem, é o meu vício de te amar - o teu sorriso de ar de dez anos que me cativa, com o olhar cor de mar que me marca, juntando uma estrutura corporal que me apela a um estilo misto de cores neutras; eu não me canso de me viciar.
Pronuncio baixinho, o verbo amar no passado, presente e futuro, todo revirado em teu canal – “
eu amo-te!”Falo baixinho, porque diz-se que o que é mais importante é dito no silêncio, mas eu quero que ainda assim me escutes; e falo em futuros porque sei que: eu, tu e o verbo amar andamos sempre de mãos dadas, nem que seja conjugado no tempo das memórias.
A presença da nossa última escuta, são assim a minha fonte de inspiração para a continuação desta saudade que me consome todos os dias mais um bocadinho.
Amor, transporta-me nesse teu saco de viagem a que chamas coração. Navegues pelo mar que escolheres, não enchas a bagagem só de sal; não esqueças o que é doce.
Amar é realmente sinónimo de sofrer; pronuncio-o como gente grande, pois estou salgada, tenho o sabor das lágrimas que chorei.
Estou morta amor. Mas espero que o verbo amar não se tenha esgotado no nosso dicionário para que possa ressuscitar depois de amanhã; se não sobram as memórias – e vou procurá-las para me encontrar, depois de as amar.
Espera-me; voltarei para nos conjugarmos – o verbo amar, no presente.
(Meios de Julho de 2009, 32 meses)




* Quando a saudade é:
maior que o coração;
Sobressaem os traços apagados,
em vez das linhas definidas.
Somam-se as desconfianças;
Mas o verbo amar só se inibe,
Não termina!