Andas por aqui – ás vezes vejo-te a abraçar-me enquanto acabo de guardas as memórias de um sorriso bonito a desabar sobre a cascata perfeita, ou a aconchegar-me o lençol, ou por fim, a dar-mo por completo. Depois sem fazeres barulho, tornas a sair e trancas(-me) com receio que um dia me canse, desta vida incerta, em que a pergunta deixa de ser “o que vamos fazer hoje” para “sobre o que vamos discutir hoje”.Hesito em ligar-te, e saber se voltas antes do amanhecer, quero dizer-te que tenho saudades, que ninguém me faz tão feliz, que os meus dias sem ti são secos e frios, ou melhor prefiro pensar que são ardios, como um deserto imenso e que isto não passa de uma miragem. Mas enquanto fico no impasse de ligar, recorro a memórias nossas conhecidas, onde me ardem os ouvidos das palavras que me disseste. É aí, que agarro numa fotografia e penso “vou guardar-te cada pedacinho, solto ou inteiro, em mim”. E recordo-me, como é neste instante, que fazes aquela expressão, em que quase torces as sobrancelhas de dúvidas, e a minha imagem segreda-me:“os homens não percebem as entrelinhas”. Assim, e tentando ser mais clara, começo a rabiscar: tu és estrela, eu lua, tu íman, eu metal. E tu, homem de poucas palavras e mais acção, tapas-me a boca e mostras-me como um ser humano pode ganhar asas. Aí, convicta e mais certa ainda, eu respiro e digo “a isto é que eu chamo o verdadeiro paraíso”.
Mas agora parto eu, porque apesar de me entregar e envolver, à depósitos inconscientes que nos arrastão à sombra da dúvida que é como um tormento diário. É neste exacto instante, que me tentas trocar as voltas, falas do nosso nó cego, relembras ainda as tranças e rematas com a frase “mas não queres sentir o que é bom”?
Depois entramos na divergência de caminhos, mas rapidamente, em equipa, conhecemos que enquanto houver uma estrada conjunta para andar, mesmo que me tenhas ensinado a partir nalguma noite triste e somado o medo de: “eu não quero é experimentar o que vem a seguir: o mau”, eu ensinei-te, ou talvez tu, a chegar, ou a voltar, e é com isto que continuamos.
E é pois, neste pensamento mais nobre, que espero que regresses do outro lado da cama e me segredes “let’s make it again”?
1242742 - dá para acreditar?
(Fins de Março, 28 meses)
(Fins de Março, 28 meses)
* Perguntas-me,
se ainda gosto de ti como dantes.
E eu respondo: Gosto mais!
Pois é no meio das desavenças,
que descubro que mesmo assim,
quero ficar contigo!
que descubro que mesmo assim,
quero ficar contigo!

