domingo, julho 12

Torná-lo

Andas por aqui – ás vezes vejo-te a abraçar-me enquanto acabo de guardas as memórias de um sorriso bonito a desabar sobre a cascata perfeita, ou a aconchegar-me o lençol, ou por fim, a dar-mo por completo. Depois sem fazeres barulho, tornas a sair e trancas(-me) com receio que um dia me canse, desta vida incerta, em que a pergunta deixa de ser “o que vamos fazer hoje” para “sobre o que vamos discutir hoje”.Hesito em ligar-te, e saber se voltas antes do amanhecer, quero dizer-te que tenho saudades, que ninguém me faz tão feliz, que os meus dias sem ti são secos e frios, ou melhor prefiro pensar que são ardios, como um deserto imenso e que isto não passa de uma miragem. Mas enquanto fico no impasse de ligar, recorro a memórias nossas conhecidas, onde me ardem os ouvidos das palavras que me disseste. É aí, que agarro numa fotografia e penso “vou guardar-te cada pedacinho, solto ou inteiro, em mim”. E recordo-me, como é neste instante, que fazes aquela expressão, em que quase torces as sobrancelhas de dúvidas, e a minha imagem segreda-me:“os homens não percebem as entrelinhas”.
Assim, e tentando ser mais clara, começo a rabiscar: tu és estrela, eu lua, tu íman, eu metal. E tu, homem de poucas palavras e mais acção, tapas-me a boca e mostras-me como um ser humano pode ganhar asas. Aí, convicta e mais certa ainda, eu respiro e digo “a isto é que eu chamo o verdadeiro paraíso”.
Mas agora parto eu, porque apesar de me entregar e envolver, à depósitos inconscientes que nos arrastão à sombra da dúvida que é como um tormento diário. É neste exacto instante, que me tentas trocar as voltas, falas do nosso nó cego, relembras ainda as tranças e rematas com a frase “mas não queres sentir o que é bom”?
Depois entramos na divergência de caminhos, mas rapidamente, em equipa, conhecemos que enquanto houver uma estrada conjunta para andar, mesmo que me tenhas ensinado a partir nalguma noite triste e somado o medo de: “eu não quero é experimentar o que vem a seguir: o mau”, eu ensinei-te, ou talvez tu, a chegar, ou a voltar, e é com isto que continuamos.
E é pois, neste pensamento mais nobre, que espero que regresses do outro lado da cama e me segredes “let’s make it again”?
1242742 - dá para acreditar?

(Fins de Março, 28 meses)


* Perguntas-me,
se ainda gosto de ti como dantes.
E eu respondo: Gosto mais!

Pois é no meio das desavenças,
que descubro que mesmo assim,
quero ficar contigo!

sexta-feira, julho 10

We break

We break, como se quebra uma borracha, um lápis, um cartão.
We break, com uma palavra, com um gesto, um adeus.
We break, como se apagássemos o carvão do lápis, escrito num cartão com uma mensagem desejada. Limpamos, vazamos e QUEBRAMOS.
We break, com uma palavra “mal calhada”, com um gesto pouco apropriado, com um adeus inesperado. Gritamos, empurramos e QUEBRAMOS.
We break: quando me sento e escorrem momentos do que me faz ver, quando escorrego e deixo cair o que foi nosso, quando tento sorrir e foge-me a vontade, por a força do fio que nos esgotou.
São intrigas, são mal feitores, são palavrões – invejosas as pessoas que não se contentam com a sua infelicidade. Façam força para que a nossa, seja dois bocados piores, e sorriam, sorriam quando virem que mesmo assim, não há melhor bocado de mim, que o homem da minha vida.
End, fim da história que querias, como vocês queriam. Mas a continuação, não apenas dos 2y melhores, como do meu respirar, do meu ver, do meu andar – não é o fim, é a continuação de uma vida feita por ti.
Quebramos, por fora, mas nunca por dentro: porque o que sentimos, diz-se em palavras contrárias, atitudes contraditórias, mas sentes sempre como se fosse a primeira vez, não (me) esqueces.

- My life, it's all about you

(Ínicio de Dezembro de 2008)



* Quebramos:
uma, duas e sete vezes...
Isto porque usamos fita-cola,
E não tudo o que se requer do amor.
Mas agora sim,
estamos certos AMOR!

quarta-feira, julho 8

Ainda te sinto

Já pouco sei como eras, mas conheço as tuas expressões, as tuas mil e uma caras e o teu corpo, de cor e salteado. Não sei exactamente o que entendes em cada gesto, cada palavra, cada magnitude, mas reconhecia-te em qualquer circunstância.
Pouco entendendo já do teu revolucionamento, mas és muito bonito: tens uns olhos verdes verdade, com um cabelo claro, tens um coração enorme onde te cabe todo o mundo, o teu mundo – os teus amigos, e eles afirmam que és o melhor amigo desta vida.
Andas de calças de ganga e calças uns ténis, nunca serás um marido de barriga cheia, pois “trazes ás costas” o ciclo desportivo. Pouco te imagino, senhor de fato e gravata, mas queres desenhar grandes construções, como desenhas um sorriso nos meus lábios.
Falas uma e duas línguas e consegues fazer piadas: piadas e fazer-me feliz.
Andamos juntos pela confusão de cidade: agarras-me a mão em todas as ruas com medo de me perderes, como um pai que cuida da filha – sempre em torno do amor; entras comigo em cada porta que se abre, pois vamos juntos nos desafios ás oportunidades; em sinais vermelhos, já fecho os olhos para sentir os teus lábios doces a percorrerem a minha face até ao encontro dos meus, e perco-me assim nos teus beijos profundos e apaixonados; pões um braço por cima do meu ombro, sorris duas e três vezes para mim e voltas a ir comigo à procura da essência para a explicação do nosso amor perfeito.
Ofereces-me colares e eu escrevo-te bilhetes: equivales os colares aos fios da nossa paixão, e eu os bilhetes há comprovação da revolução e remodelação que a nossa relação já sofreu. - Dás-me o que ninguém me deu!
Não sei bem o que foste no passado do passado e o que pretendes agora no presente, mas ainda te sinto. E tenho a certeza que andas à volta de mim – de nós, e do nosso amor perfeito: com desavenças, mas que a distância não apaga e o silêncio não acomoda, e em contradição, com um brilho que me deixas nos olhos e um capricho que me enche o coração.
Quem sabe, se um dia, não foges de casa e dizes que queres ficar comigo. Mas se não for assim, fica perto de mim por agora - só até deixares de acordar como criança de dez anos, sempre atrasado, mas com a ânsia de me encontrares: porque nunca te queres separar de mim.


Nem que apostes duas e três vezes, isto deixa de ser assim
(e volto a dizer: ainda te sinto)


(Feitos 23 meses, Outubro de 2008)

* Todos apostam o tempo,
a que as nossas saudades nos levam.
Cá para nós,
eu aposto em nós,
juntos!