segunda-feira, junho 13

Como uma carta I

R.,

Ainda podias ser o meu R., sabias? Não o R., mas o meu R. É, e eu infelizmente ainda queria que tu fosses meu. Mas por circunstâncias que tu escolheste tu já não estás mais aqui e já não és mais meu. Não um meu entregue porque hás-de sempre ser um bocadinho meu – nem que isso seja nas memórias – mas já não és meu e passaste a ser de alguém, e quanto mais cedo eu aceitar isso melhor. Isso e o facto de já não seres o meu amor, não o meu amor mas para sempre o meu grande amor.
Ainda queria poder amar-te de outra forma que não no silêncio, e ainda estou a aprender a fazê-lo, tu sabes, a esconder os meus sentimentos, ainda estou porque estive contigo por quatro anos e meio e tudo o que fiz melhor foi amar-te, mesmo por entre todos os buracos escondidos de quando nos separávamos por algumas semanas ou meses, tudo o que fiz foi durante estes anos amar-te incondicionalmente nas tuas idas e nas minhas vindas.
Ainda te amo – ainda que cada vez mais em segredo – e amo-te mesmo depois de te ver largar o meu coração sem qualquer tipo de contusão, ainda te amo mesmo que agora sejas tu com o teu orgulho e tu sem alma alguma, ou tu uma pessoa desengraçada, amo-te mas já não o pronuncio em voz alta, porque tornou-se assustador – não só este sentimento mas tu.
Não havia ninguém que fosse tão casa como tu, ninguém, não havia melhor ponto de fuga, não havia melhor pessoa. Não havia melhor lugar para estar que não o teu coração. Mas já não sei se tens um agora, já não sei porque deixei de conseguir descodificar-te por todas as atitudes e mudanças que carregas em ti. E tu não sabes como custa, tu não sabes como custa perder a melhor pessoa da tua vida para o tempo, e depois do tempo para outra pessoa. Eu perdi não só o meu namorado mas o melhor amigo. Perdi-o(s) quando desististe de mim.
Eras a única pessoa que não podia ter desistido e lembrar-me disto dói-me muito, ainda me dói muito e todos os dias, não fosse eu ter-te feito pensado que tinha desistido primeiro, e não fosses tu pensar sequer que isso era possível, não fosse eu amar-te com tudo o que tinha. E podiam ter desistido tantos outros, só não podias ter sido tu, tu que nunca me pareceste provável de o fazer, tu que me fizeste acreditar que tu serias a única pessoa que não ia desistir nunca de mim.
E no meio disto o que é que me sobra, se a tua mudança desgastou o meu coração e a minha pequena alma? O que sobra se não o meu corpo sem rosto? O meu rosto era feito do olhar e eu perdi o meu, talvez porque o teu fosse reflexo do meu, mas eu perdi-o, e isso é a coisa mais triste de se perder. Mais do que perder a alma, mais do que isso, é perder o olhar, porque é tão difícil recuperá-lo, tão. Como este amor. E logo eu que sempre disse que enquanto acreditasse no nosso amor ia continuar a tentar, não consigo mais. Não consigo porque tu me deixaste tão distante do lugar onde me queria achar, tão distante, tão afastada do teu coração. E a esperança no meu olhar apagou-se.
Como todas as coisas que fui desenhando para ti, parecem-me tão distantes agora e tão longe de me completarem. Tão apagadas. Tão fundas como as minhas feridas. Pergunta-me onde estão as minhas maiores feridas, pergunta-me que eu respondo-te que estão no meu coração e foste tu que as deixaste. E todas abertas. O meu coração desnudou-se completamente e eu não deixei o meu coração como tu deixaste que eu fosse embora. Eu não o deixei, como tu deixaste esquecer-te de mim.
E como eu não queria que te esquecesses de mim, mas queria tanto esquecer-me de ti, para não me lembrar daquilo que nunca foste por mim, porque não podes ter sido, se não nunca me tinhas deixado ir, ou deixado desesperada a interpretar minuciosamente todos os gestos que compartilhamos para ver onde (te) falhei. Onde te falhei, ou onde nunca optei pelo caminho mais fácil – desistir.
E estupidamente acreditei que nós partilhamos o que às vezes nem se encontra- o amor sabes? Pelo menos eu sei que partilhei, mas espero que te venhas a esquecer disto, porque em mais nenhum dia te vão amar assim – de maneira quase perpétua. E ama-se poucas vezes. Quer-se cuidar do outro poucas vezes.
E espero que saibas que desta vez eu estou mesmo magoada, como nunca antes, e que podemos namorar por quem nos apaixonamos e gostar de quem amamos (simultaneamente), e se calhar por isto, é que mesmo magoada vou sempre gostar de ti, porque eu amei-te de verdade e para valer, mas tu não soubeste ficar com isto, ou retribuir-me, e eu nunca vou esquecer como me magoaste desta vez.
E eu vou deixar de sentir a tua falta, ou pelo menos vou aprender a viver com ela, ou com o insucesso de um dia te ter entregue o meu coração. Não o penses como teu para sempre, não o faças. Porque desta vez tu magoaste-me muito, muito, mais do que eu possa escrever. E se eu soprar, o pó vai embora, mas seu eu te soprar a ti e às dores que me deixaste, vais embora como o pó? Bolas, tu já foste…falta só a dor. E as promessas por cumprir.
«Não te vou deixar nem quando as galinhas tiverem dentes». E esta foi a maior promessas por cumprir ou mentira que me cravaste. Ou então cresceram dentes às galinhas e eu não fiquei a saber.



Para sempre um bocadinho tua,
Eu com um adeus

118 comentários:

  1. "eu vou deixar de sentir a tua falta, ou pelo menos vou aprender a viver com ela"
    queria tanto :s

    ResponderEliminar
  2. é o chamado 'sem comentários'.
    quando se sente diz-se tudo

    ResponderEliminar
  3. sabes, também tenho um "R# na minha vida...
    comoveste-me, mesmo e acredita que isso nao costuma acontecer...
    os meus parabens e grande admiração

    ResponderEliminar
  4. "e as promessas por cumprir"
    no fim, as promessas ficam sempre por cumprir..

    ResponderEliminar
  5. R? meu, queria eu que fosse, meu, o R.
    Parece que me escreves, "nunca duvides que o futuro é nosso" mas é essa a minha maior duvida.
    A única diferença é que exactamente os teus anos contam-se em mim, meses

    ResponderEliminar
  6. claro que te faz bem. é outra coisa! já agora boa sorte para o exame mafalda

    ResponderEliminar
  7. ainda bem que gostas e obg fofinha +.+

    ResponderEliminar
  8. mas depois há os que não fazem nada e chegam até onde fui com tanta luta. é a isso que me refiro.

    ResponderEliminar
  9. coisas/palavras destas só o tempo nos ensina, sabes? acho que temos de aprender a soltar-nos das correntes a que nós próprios nos prendermos para podermos seguir em frente. porque no fundo, nós somos livres de todos, não precisamos de ninguém; e achar que precisamos é só uma forma de crescer. É bom precisarmos de alguém. Mas quando deixa de ser bom, o melhor é tomarmos consciência de que realmente não precisamos desse alguém. mas é o tempo que nos dá estas noções.

    e obrigada mafalda :)

    ResponderEliminar
  10. Oh querida, muito muito obrigada (: *

    Catarina (Butter Sauce: http://palitosdelareine.blogspot.com/ )

    ResponderEliminar
  11. Oh querida, força, tudo se vai resolver e sei que vais encontrar a tua felicidade (:

    Catarina (Butter Sauce: http://palitosdelareine.blogspot.com/ )

    ResponderEliminar
  12. mafaltada ando a tentar comentar o teu outro blog mas está complicado/:

    era o que te queria dizer: "tanto que as dizemos e ninguém repara nem lhes atribui o devido valor que a vontade de as repetir ou de as mostrar é que se gasta."

    ResponderEliminar
  13. uma carta profunda, e mais não consigo dizer. foi mesmo escrita para isso - para nos roubar as palavras.

    ResponderEliminar
  14. Obrigada :D gostei imenso do que escreves-te, está lindo acredita! beijinho <3

    ResponderEliminar
  15. "Ainda te amo – ainda que cada vez mais em segredo – e amo-te mesmo depois de te ver largar o meu coração sem qualquer tipo de contusão, ainda te amo mesmo que agora sejas tu com o teu orgulho e tu sem alma alguma, ou tu uma pessoa desengraçada, amo-te mas já não o pronuncio em voz alta, porque tornou-se assustador – não só este sentimento mas tu."
    tinhas razão, estamos numa situação idêntica, minha querida. sei quanto custa, muita força!*

    ResponderEliminar
  16. obrigada querida (:
    adorei o texto

    ResponderEliminar
  17. "E eu vou deixar de sentir a tua falta, ou pelo menos vou aprender a viver com ela" tenho a certeza que vais sair-te bem, e sei que parece cliché mas estou bem certa que mereces alguém especial que te dê o valor que mereces, e que não se vá embora assim que cresçam dentes em galinhas. (': força, bonequinha

    ResponderEliminar
  18. Se ele desistiu de ti, acho chegou a hora de desistires de sofrer por ele, porque minha querida, pelo que aqui escreves, já não vale mais mais a pena. Sofrer, chorar, gritar por ele já não vale mais a pena porque será em vão.
    Agora tens é que te erguer, e lutar por ti e pelo bem estar do teu coração.
    Aprendi que só devemos lutar por quem nunca desistiu de nós, e pensando assim acredita que é muito mais fácil, ou menos doloroso.
    Força Mafalda, um dia as feridas irão fechar, eu acredito que sim, tens de acreditar também.

    ResponderEliminar
  19. Nem imaginas o quanto gostei Mafalda, a letra (e o rapaz em si R)é sempre difícil de descodificar :)

    ResponderEliminar
  20. obrigada :)) adoro! cátia lima
    http://silencio-do-segredo.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  21. obrigada mafaldinha, sempre em alta com grandes textos!

    ResponderEliminar
  22. e aprendemos sempre da pior forma nao é?

    ResponderEliminar
  23. ei, obrigada, já dá :D foste mesmo querida, beijinho +.+

    ResponderEliminar
  24. mas acredito que não sejam pelas mesmas razões. as tuas são bem mais fortes pelo que percebi,e diferentes. mas estar perdida,é estar perdida. vai dar ao mesmo

    ResponderEliminar
  25. "Não havia ninguém que fosse tão casa como tu", adoro.

    ResponderEliminar
  26. dá para perceber linda,mas como és uma rapariga forte. eu prefiro nem falar nas minhas,estão a passar estes maus pensamentos e quanto menos agora mexer neles,melhor.

    ResponderEliminar
  27. - claro que sim :)
    não apareces como seguidora x:

    ResponderEliminar
  28. obrigada princesa :)
    "«Não te vou deixar nem quando as galinhas tiverem dentes». E esta foi a maior promessas por cumprir ou mentira que me cravaste. Ou então cresceram dentes às galinhas e eu não fiquei a saber". ADOREI <3

    ResponderEliminar
  29. não as gastes mais, talvez ele não valha a pena. Pelo menos o "meu" R não vale e nunca chegou, realmente, a valer :/
    FORÇA, minha querida. Conta com todo o meu apoio *

    ResponderEliminar
  30. quem sabe ainda valha a pena. De qualquer das maneiras, muitaaaaaaaaa força *

    ResponderEliminar
  31. são saudades, medos, falta de sorte que estão atrás daquele "foda-se" que é o que mais me apetece gritar ultimamente! muito obrigada pelas palavras de força minha linda *

    ResponderEliminar
  32. De certeza que não há hipotesse joia? O destino muitas vezes é imprevisivel :s

    ResponderEliminar
  33. vamos ver :) adoro tudo!
    http://silencio-do-segredo.blogspot.com/
    cátia lima

    ResponderEliminar
  34. não podes ficar mal por um rapaz! digo-te princesa: nenhum deles merece uma lágrima nossa!

    ResponderEliminar
  35. muito obrigada:) li a 3ª chamada, gostei muito.:P este texto ainda nao li mas quando tiver mais tempo juro que leio:P

    ResponderEliminar
  36. e eu... e eu podia concordar muito. mas ele acabou comigo hoje.
    <3<3

    ResponderEliminar
  37. Mas acho que isto de sermos sozinhos é que nos torna únicos. Todas as relações dão-nos alguma coisa que já noutro lado existe. E é por isso que alguns se destacam entre outros, porque continuam a ser eles mesmos, sem medo da igualdade dos outros. Bem, pelo menos é o que penso. E é o que me faz achar que somos independentes. Somos nós, e isso é tudo o que podemos querer ser. Por isso acho que a nossa não-dependência é o que de melhor temos

    ResponderEliminar
  38. E tu já não o queres? Eu sei que estas totalmente magoada nota-se pela maneira como falas, mas o amor por vezes fala mais alto :s

    ResponderEliminar
  39. Ahaha querida , concordo planeamente :)

    ResponderEliminar
  40. muito obrigada, está lindo mesmo (':

    ResponderEliminar
  41. - aqui não tem estado nada bom x:
    ainda não querida .

    ResponderEliminar
  42. eu de férias já estou, falta o resto :c

    ResponderEliminar
  43. tens toda a razão, minha querida. comoves-me sempre que visito o teu cantinho, com essa tua maneira inconfundivel de escrever. nunca páres, às vezes escrever leva a dor embora, pelo menos por um instante.

    ResponderEliminar
  44. Está qualquer coisa como fantástica!

    ResponderEliminar
  45. ó a sério? que recebas muitas flores, é sinal de luz e alegria :)

    ResponderEliminar
  46. é mau sim :c mas neste caso, ela é que me magoou :C

    ResponderEliminar
  47. preciso é de conforto,isso sim. mas muito obrigada mafaldinha*

    ResponderEliminar
  48. gostava mesmo de saber como o fazer mas infelizmente o facto de estar privado não deixa as pessoas que me seguem receber actualizações. o que é estúpido porque devia dar para quem me segue :x

    ResponderEliminar
  49. Entao nesse caso dou-te razão, eu conheço o tipo dele, já passei por isso. Mas sabes o que acontece no meio disto tudo? Tu vais conseguir supera-lo pode parecer que não, mas na tua vida tambem vai haver um principe encantado como nos contos de fadas, porque para uma pessoa que se entrega tanto ao amor como parece tem de haver, só pode haver.
    Tu vais superar e ser forte querida

    ResponderEliminar
  50. Oh mafalda dou-te um conselho: mantem-te assim distante, ele vai dar falta, vai sentir falta do teu carinho, do teu amor, se foi algo tao forte assim de certeza que ainda há hipotesse, aguenta-te.

    ResponderEliminar
  51. nem feliz nem triste, é-me quase indiferente

    ResponderEliminar
  52. sim mafalda, foi uma ilusão. foi um sonho perfeito até à hora em que os meus olhos se abriram para a realidade. obrigada!

    ResponderEliminar
  53. Claro! Mas acho que o fim das relações é devido a uma má percepção da independência do outro. Na maioria dos casos tomamos por certo que um casal é-o em qualquer das situações, mas a abusiva posse retira a liberdade ao outro lado e isso leva à separação do casal. Acho que o que nós procuramos é a dependência independente, que é de certa maneira, utópica

    ResponderEliminar
  54. obrigada e claro, somos todas umas autenticas princesas :))

    ResponderEliminar
  55. isto deixou-me com uma lágrima no cantinho do olho.
    dos textos/desabafos mais lindos que já li

    ResponderEliminar
  56. É mesmo a musica da minha vida neste momento porque me descreve tudo o que se passa comigo, sem tirar nem pôr.
    E minha querida, a melhor forma para desistires dele, é apostares mais em ti!*

    ResponderEliminar
  57. é mesmo, mas elas acabam por chegar. e quando assim é, demoram a ir embora !

    ResponderEliminar
  58. a serio? :s

    Ainda tenho que ler o teu é enorme :o


    Obrigada, bem preciso! :S

    ResponderEliminar
  59. eu também! já é dos meus favoritos!

    ResponderEliminar
  60. Mafalda, o teu blog é muito interessante.
    Simplesmente adoro as tuas palavras :)
    Obrigada

    ResponderEliminar
  61. e não tenho assim tanto jeitinho |:

    Respeito, é isso mesmo! As relações têm por base o respeito e é por isso mesmo que, não nos respeitando a nós próprios nunca conseguiremos levar uma relação tão longe quanto gostaríamos. Ouvi na televisão várias vezes "Se eu não gostar de mim, quem gostará?" e acho bastante difícil não se concordar com isto. Um dos maiores segredos de uma relação é gostarmos e respeitarmo-nos tanto a nós próprios como ao outro

    ResponderEliminar
  62. Estas tuas palavras assustam-me, sabes? Assustam-me mesmo, porque eu encontro mil e uma sensações e uns quantos sentimentos que conheço colados a cada palavra. Fascinam-me os textos que demonstram sentimentos. Fascinam-me ao ponto de me assustar. Porque vejo sempre uma parte de mim reflectidas nessas junções de frases e palavras. Contudo, não consigo não gostar. Por mais assustada que fique por ver a minha alma num espelho de palavras, adoroooo! Adoro ver o que sinto resumido em palavras. Assusta, mas gosto.
    E adoro as tuas palavras, adoro muitooo!

    ResponderEliminar
  63. nunca li algo, tão sentido.
    força querida.
    beijinho (vou seguir*)

    ResponderEliminar
  64. Ai meu querido feijãozinho!
    Se ele ao menos merecesse ler esta carta!
    Estou aqui, minha querida. Sempre aqui!

    ResponderEliminar