sábado, 7 de Novembro de 2009

Faísca

Separados sempre fomos incompletos: subtraídos em vez de somados; equações negativas em vez de prováveis; raízes impossíveis em vez de perfeitas; Separados sempre fomos divisões e não multiplicações – dividíamo-nos numa recta negativa em vez de nos multiplicarmos em sobejo.
Separados éramos o efeito contrário da faísca – forte atrito;
Éramos: disjuntos, desligados, desunidos.
Juntos não seguíamos teorias, não ligávamos às regras da física e questionávamos a prática da química; juntos contestávamos e inventávamos literatura.
Nós somos faísca; um produto de conversão de energia – a energia cinética em contacto com a força aplicada no efeito do impacto, rapidamente se transforma em energia térmica nos dois materiais em colisão.
Nós éramos material, material em constante confronto: num cálculo rápido, passamos do negativo para positivo; deixamos os extremos e adoptamos o termo.
Nasceu a faísca incendiária;
Atingi temperaturas que se propagavam entre os 1600º e 1800º; estendia-se agora às palavras antes frias, promessas quentes; exercia-se forças conjuntas, antes impelidas sós; extinguia-se o diviso e elevava-se a faísca às forças cúbicas.

Revivo:
“Queres causar faísca?"

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Distância IV

Esta é a nossa estação, Ana;
Tu sabes, eu nunca acreditei em nada do que começava aqui, nunca te o omiti. Achei sempre o verão: “sol de pouca dura” – sentias; e começava e termina logo no mesmo ápice. Quando começavas a sentir já tinha terminado.
Mas tu revolucionaste-me; não acreditava em verões, e agora acredito em nós. Loucuras!
Realmente é bom alargar horizontes, como lhe chamas. Mas saber guarda-los, como dizes. É ainda melhor!
Ensinaste-me isto, mas ainda conseguiste licenciar-me em distância: conheci a verdadeira distância física – até então, totalmente desconhecida, apenas hidrolisada.
A distância de um mar como fronteira; o que é cada uma no seu barco mas juntas na mesma maré; o que é cada uma na sua fronteira mas sempre em rumo à mesma ponte; o que é realmente a distância, quando não são quilómetros mas um mar;
Proferiste ainda em dar-me a conhecer o real valor da palavra “acreditar” – já não me faz sentido a dita frase «é preciso ver para crer»; porque abri de tal maneira a minha alma para ti, que acredito em ti sem fés. Porque a fé é acreditar no que não sabemos que existe e ainda assim depositar toda a esperança; contigo é diferente: sei que existes e que és tão transparente.

 Aprendi tanto contigo; e para mim aprender é crescer.
“Senhora professora”, foi a partir da nossa estação que me ensinaste a sentir desde que tudo isto é “nosso”; foi o nosso mecanismo de defesa. Aprendemos juntas se queremos sobreviver.

(Mas sim, ás vezes tanta distância é um sufoco)

PEQUI diz:
Um génio disse, tudo vale a pena quando a alma não é pequena; E tu vales porque somos tão mas tão grandes!

Amizade sempre foi sinónimo de ti, Ana!

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

"You’re toxic, I’m slipping under"

Tóxico é sinónimo de envenenamento; tu envenenas-me, produzes efeitos nocivos no meu organismo! Tu causas em mim poder destrutivo. Tu causas em mim amor, e diz-se por aí que é tóxico.
Os sintomas de intoxicação dependem do produto e da quantidade ingerida;
Mas meu doce, tu sabes que se o amor é tóxico, sendo tu a forma mais potente do amor,
és tóxico ao cubo; ingerindo eu o teu amor “em camadas sem piedade”, estou intoxicada até à raiz dos cabelos.
Preciso de ar ar; Procuro bomba; Quero respirar – mas tu és: atmosfera; sifão; expiração!
És tão oxigenado; como tóxico.
“Praticamente qualquer substância, se ingerida em grandes quantidades, pode ser tóxica.”; funesto, lesivo, maligno, nocivo, pernicioso, prejudicial: fatal.
Estou tóxica(da); e isto não vinha no teu “manual de instruções”.

Mas sabes, eu adoro! Porque tu cheiras a naftalina e gosto que isso me intoxique; porque é como o sabor de paraíso de veneno – serão estes os efeitos secundários?!

 Sabes que te digo? O amor é tóxico!!

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Hoje as memórias seguem-me

Os meus olhos brilham – “Não posso sentir saduade”, penso!
Estou entregue ao futuro que chorei, que lutei, que desejei e tu nunca tinhas sido o meu motivo de escrita directa; eras uma potente forma de equilíbrio; o meu suspensório.
“Egoísta” penso. Entendeste-me a mão; deste-me as tuas pernas para seguir em frente; encontraste a minha alma; e agora?!
Agora não escutas, porque não te dou a conhecer que hoje as memórias seguem-me – estás na imagem que te findei e não restou nada, só medos.
Culpa-me! A mim ingrata e egoísta.
Tu: tu que me devolveste as sensações; me devolveste os dias menos negros; te entregaste com tudo o que podias dar; que realizaste os meus caprichos; tu que escreveste comigo uma nova história, tu – só tu!
Tu – que me aceitaste com o meu pretérito perfeito, com os tempos conjugados no passado, sem vontade de os findar, apenas transpô-los no presente.
Culpa-me! Culpa-me mais uma vez. A mim e aos meus medos – controlada, fui esquecendo toda a lógica de um possível re-envovlimento: a confiança!
Fui domada por mim, pelos meus medos, e somei ainda os teus. Tive vertigens em arriscar e fiquei parada, a ver as sensações caírem pela cascata das minhas indecisões.
A ti te chamaram de boneco, eu cá chamei-te de estrela: estiveste perto de mim, mas agora sei que irás para longe e deixarás as memórias comigo, para me atormentar, para sentir saudades. Eu sei que queres que (te) recorde!
És a primeira pessoa que nomeio de estrela - prometo que te mostrarei a minha gratidão, embora de forma oculta mas consistente: irei noite sim, noite não, ao encontro da estrela mais brilhante e chorar um pouco da minha saudade: não a saudade de afecto do “amor”, mas de um carinho amigo.
Amigo: chamo-te em segredo, melhor amigo. Tu conheces-me de todas as formas: nos dias bons, nos dias maus. Eu cá conheço-te em todos os feitios, melhor do que ninguém, assumo. E por isso, sei que desta forma nunca me vais querer, é sempre pouco para ti – é apenas meia dúzia, da dúzia que tu querias.
Culpa-me se te fizer sentir melhor – acho que posso já sentir o que me vais dizer: “A pessoa que me ensinou tudo o que sinto agora, deixou-me para trás. Como se não valesse de nada!”
Não te deixei – apoiei-me antes em todo o teu afecto para sonhar, e conseguir o que nunca te neguei nem ocultei.
Sei que preferirás não me ter de maneira nenhuma, do que na forma incompleta.
Memórias, hoje são só memórias – entre soluços, quero apagá-las do meu disco interno, lembrá-las apenas pelo externo; mas as memórias seguem-me.

Pedir-te para me lembrares com o coração era demais; era injusto!
Recorda-me; do jeito que quiseres.

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Esboço

Em perspectiva crio um plano de um esboço ideal ao teu corpo humanizado – olhar definido, estrutura direita, organismo consistente.
Esboço: rascunho-te; delineio a tua forma; analiso o teu carácter – rasuro-te, apago, desenho-te, aperfeiçoou-o, modelo-te.
És o meu projecto – quero conseguir-te nas minhas ideias: defino-te a meu gosto.
Rascunho-te: traço-te e emendo-te. És o meu plano.
Tornas-te o meu plano: quero obter definições concretas, planos certos, linhas paralelas, campos de visão meus: fechados ou abertos, conforme o meu estado de espírito.
Delineio a tua forma: energia é a palavra-chave. Alimento-te em fibra!
Analiso o teu carácter: mexo na tua razão – aprovo e desaprovo os teus pensamentos. Mexo com o teu sistema.
É meu objectivo a transformação – consiste em ganhar mais gosto!
Rasuro-te, apago, desenho-te, aperfeiçoou-o, modelo-te – Eu esboço-te.
À minha maneira; na minha medida; em torno de mim: dos meus gostos, dos meus vires, dos meus concordantes.
Domínio – domínio em ti, meu amor: agora elimino as imperfeições, risco o que não interessa e contorno os valores.
Tudo por ti: és o meu plano de esboço perfeito. Ficarás completo.
Estás certo para mim – há minha maneira, do jeito que me agrada!

Deixa para lá. Sabes que mais?
Gosto muito mais de ti assim – um esboço real: definido, realizado por ti!

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Ignorada

“Não és. Em mim não és.” – Palavras sem sentido!
Chegamos a esta conclusão lembraste?!
O melhor mesmo é começar pelo inicio: fantasias.
“Imagens fantasiosas”: Estou a ser demasiado directa.
Imaginas-me; imaginas-me como pessoas imaginam carros, casas, férias. Tu imaginas-me a mim.
Idiota! Como é que podes explicar um momento; uma provocação em tipos de atracção, ou sentimentos - chegando ao absurdo!
“Tocaste na ferida” – A minha está sarada! Estou imune a dores: à minha própria e à dos outros. “Egoísta” aposto que foi o que pensaste.
Ás vezes isso ainda me preocupa, a ti só te toca em passatempos, quando sentes a lembrança; quando te apetece “brincar”: brincar aos mundos isolados.
Deixa-me puxar-te. Isso não existe, não é como dizes: a fantasia nunca pode ser melhor que a realidade. Falta-lhe isso – Concretização.
Se imagens fantasiosas, se desejos impossíveis e brincadeiras isoladas, te completam como dizes, eu digo por cima que é mentira. O receio pára-te.
Existem em ti dualidades: ir ou ficar; conhecer ou fantasiar. Isto porque és cauteloso, segundo tu.
Sou ignorada.

Agora sim estamos a começar; estás a conhecer-me.

(Olha e já não sinto; é sem sentido) 

quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Distância III

Mafalda diz:
Gostava de tempo…


PEQUI diz:
Eu gostava de te ter…


Como é grande a nostalgia, Ana;
Queria voltar o tempo – não emendava nenhum dos laços que traçamos, nenhuma das linhas que ligamos, e muito menos nenhuma das pontes que criamos; trocava antes todo o silêncio que guardei com medo de ser um “entupimento”, em dias que o sol estava obstruído pela montanha, por dias de sol, em que era tão fácil falar contigo da saudade e cantar uma, duas, três ou sete músicas das “nossas escadas”.
Sabes, ando sempre pé a pé com a”nossa saudade”;
Milhares de curiosos, interpelam na rua o meu corpo nu de saudade, as feridas de quem sente a falta, os olhos de quem precisa de alguém que está longe; e perguntam-me “Mas o que é a saudade para ti?” – aí eu respondo: a Ana!
Uns tolos riem-se – uns porque acham que a saudade não têm nome; outros porque após mais “toques na ferida”, sabem que vives a milhas; Mas sabes o que te digo? Não sabem o que é sentir – mas aqui as forças faltam-me para explicar que um mar não é um entrave mas uma forma de conhecimento, fico-me na coragem de lhes dizer, que como tanto me dizes, “não têm espírito aberto para sentir” – aqui pego na minha fraqueza, na “tua falta” e na nossa simbologia – a cruz, a cruz que me depositaste “com tanto amor”, para estas horas de nostalgia, meto-a ao pescoço e vou contigo, para todo o lado.

A saudade e eu somos as melhores amigas; estás a entender as minhas entre linhas?! A saudade é parte de mim; e tu andas sempre de mãos dadas comigo.

Mas tu és mais forte que eu: porque agora falas na falta da minha voz, eu vou logo para falta da tua presença. Do outro lado, oiço-te dizer, tentando ser serena a esconder a lágrima que cai, após complementar essa riqueza interior - “Temos de ter outras armas para combater tudo isso!”

Somos sílaba por sílaba!

“Sabes tão bem falar por nós” – rematas.

(Meios de Julho de 2009)