sábado, novembro 7

Faísca

Separados sempre fomos incompletos: subtraídos em vez de somados; equações negativas em vez de prováveis; raízes impossíveis em vez de perfeitas; Separados sempre fomos divisões e não multiplicações – dividíamo-nos numa recta negativa em vez de nos multiplicarmos em sobejo.
Separados éramos o efeito contrário da faísca – forte atrito;

Éramos: disjuntos, desligados, desunidos.

Juntos não seguíamos teorias, não ligávamos às regras da física e questionávamos a prática da química; juntos contestávamos e inventávamos literatura.

Nós somos faísca; um produto de conversão de energia – a energia cinética em contacto com a força aplicada no efeito do impacto, rapidamente se transforma em energia térmica nos dois materiais em colisão.

Nós éramos material, material em constante confronto: num cálculo rápido, passamos do negativo para positivo; deixamos os extremos e adoptamos o termo.

Nasceu a faísca incendiária;
Atingi temperaturas que se propagavam entre os 1600º e 1800º; estendia-se agora às palavras antes frias, promessas quentes; exercia-se forças conjuntas, antes impelidas sós; extinguia-se o diviso e elevava-se a faísca às forças cúbicas.

Revivo: “Queres causar faísca?"