terça-feira, março 8

Deixa-me ficar II

Hoje voltaste a despedir-te de mim para não retornares. E eu perdurei, novamente, apática até saíres. Optei por não te dizer nada, mais um dia, tudo porque as palavras depois de ditas não dão para apagar, e tu não sabes, mas eu ainda choro com as tuas, aquelas que me vais dizendo.
Podia ter feito o mesmo que tu, mas enquanto tu vais para voltares, eu vou habituando o meu corpo à tua ausência, o meu coração à tua inexistência e o meu rosto às gostas sujas. Gotas sujas por serem choradas por ti. Por seres tão sujo, quando voltas à noite depois de me dizeres todas as manhãs, por outras palavras, que «não há volta».
Hoje também me podia ter despedido de ti, mas em vez disso, deixei-me estar e chorei. Chorei e vou chorar todas as noites até não ter mais lágrimas para ti. Vou esfregar na minha alma as palavras frias que me dizes quando acordas, até ao dia em que já não seja preciso. Vou fazê-lo até que fiquem só cicatrizes do tempo em que estiveste. Pois, embora ainda sejas uma ferida aberta e eu ainda dei-te lágrimas sujas, em breve tu serás uma marca no tempo já sarada, e no me rosto já não cairão mais lágrimas sujas.




Deixa-me ficar para não mais sofrer. Vem aqui tornar-te um eu ausente do meu eu

44 comentários:

  1. aw, que lindo, adorei, adorei.
    muito muito obrigada :')

    ResponderEliminar
  2. claro que não interessa, mas acho que me iria sentir mais motivada se fosse para Lisboa, por exemplo, porque adoro Lisboa. e odeio viver aqui, logo também não é que fique muito contente em cá ficar, não gosto muito desta cidade :/ mas pronto..
    e sim, infelizmente, há vezes em que o adeus é a única solução. às vezes porque não há luta de todas as partes, outras, porque há mas mesmo assim não se consegue. e eu já passei pelas duas*

    ResponderEliminar
  3. Não sei, não gosto disto, desde pequena. Não gosto do pessoal de cá, não gosto da cidade em si, enfim, não sei. Sinto que a minha vida seria menos miserável se eu não estivesse aqui. Não estou a dizer que a minha vida é, realmente, miserável, mas seria menos. Mal posso esperar para sair daqui.
    Bem, posso dizer que no segundo exemplo que falei, de que às vezes as pessoas lutam e mesmo assim não é o suficiente, o adeus é hoje encarado como um "vejo-te depois". Porque voltei a falar com a pessoa em questão, e as coisas realmente já não são como antes, e nós não fizemos nada para as mudar, sequer. Antes discutíamos praticamente todos os dias, e agora, sem mexermos um único dedo, parece que voltámos a ser grandes amigos como no início :) E ainda bem. Mas no primeiro exemplo, se temos dois braços, não vamos usar um só. Se só uma pessoa luta e a outra não faz nada para que as coisas resultem porque desde o início acha que não vale a pena, então o melhor aí é mesmo dizer-se adeus, porque há coisas que não dão para continuar. Não vejo outra maneira de contornar o adeus neste caso, por exemplo...

    ResponderEliminar
  4. Preciso tanto do mesmo que tu : "Vem aqui tornar-te um eu ausente do meu"

    ResponderEliminar
  5. Está lindo querida, adorei.
    Força *

    ResponderEliminar
  6. obrigada! força! chorar também faz bem! lava os pensamentos e as angústias querida

    ResponderEliminar
  7. Obrigada queridaa!
    Siim vou continuar, ainda bem que estás a gostar asério :D

    ResponderEliminar
  8. sabes, até à algum tempo eu condenava isso. Defendia que é possível manter amizades durante o tempo que quisermos com a condição de o querermos de verdade. Culpava-me a mim e aos demais por me/se afastar, sentia-me mal comigo e com os outros por achar que tinha errado em algo e que poderia ter feito as coisas de modo diferente. Ainda acredito que com vontade podemos prolongar relações o quando nos apetecer, até á distância, no entanto quando vejo que já não é como era antes já não me culpo, nem a mim nem a quem quer que seja. Isto porque há algum tempo uma amiga explicou-me que as pessoas são como puzzles mas em movimento. Ao longo da nossa vida vamos encaixando nas pessoas que nos rodeiam, numas melhor que noutras. Mas quando crescemos, mudamos, construí-mo-nos, e vamos deixando de encaixar em certas pessoas porque já não faz sentido: se quando era pequena brincava com uma menina ás bonecas, não quer dizer que essa melhor amiga de infância preencha o espaço de melhor amiga de adolescência, porque é como se aquele fosse o lugar dela.
    Por isso nunca lamentes se alguém se desencaixou de ti, porque mudes o que mudares, vais sempre lembrar que um dia lá esteve e vais saber para o resto da tua vida que essa pessoa ainda tem o seu lugar, que ninguém é capaz de substituir na perfeição :')

    ResponderEliminar
  9. "Deixa-me ficar para não mais sofrer. Vem aqui tornar-te um eu ausente do meu eu." adorei

    ResponderEliminar
  10. mas a mulher dos teus sonhos nué certa, enquanto q a da tua vida estará lá até isto tudo acabar. e se os sonhos te movem pds sp ajustá-los àquilo q já tens, hm?:)

    ResponderEliminar
  11. a fragilidade não me incomoda, incomoda-me sim a incompreenção. sou daquelas pessoas que mesmo que me digas que o mundo acabará eu vou sorrir-te, mesmo estando a morrer por dentro, e enerva-me o facto das pessoas acharem que sou de ferro por isso.

    ResponderEliminar
  12. então quando assim é ainda está nas vossas mãos tentarem cuidar dessa amizade :')
    não agradeças querida, no que puder ajudar estou sempre pronta :')

    ResponderEliminar
  13. E eu também as tenho pintadas com o vermelho. :)

    ResponderEliminar
  14. Não posso :/ Não tenho dinheiro para isso, e os meus pais não me vão ajudar com isso. Logo, tenho mesmo que ficar por cá...
    Mensagem, não tenho o número americano dele (ele foi para os Estados Unidos). E email? Sim, mando muitos. Mas para quê? Se ele só responde sempre 4, 5, 6 meses depois... E oh, claro, mas mesmo assim, seria difícil, porque é muito mais dispendioso e mais complicado de se tornar algo "regular" e "frequente". E eu percebo, só depois de ter uma relação à distância percebi o que ele queria dizer, e claro que nunca iria resultar. De qualquer maneira, o problema é mesmo esse, não posso dizer que ele logo no início desistiu, porque ele nem sequer tentou, e até podia chamá-lo de cobarde, mas acho que no fundo foi inteligente, muito mais do que eu.
    E já fui, querida, já acreditei que um amor resistia à distância, até ao momento em que eu própria me vi numa relação assim, em que éramos os dois do continente e mesmo assim não pude vê-lo. O coração pode sentir, sim, até pode, mas só se terá a certeza daquilo que se sente quando se estiver com a pessoa. Mas neste caso nem fui eu que não acreditei, foi ele. E com razão

    ResponderEliminar
  15. Vou tentar abusar dele e tu também, temos que sorrir sempre :)

    ResponderEliminar
  16. Força amor!

    Rápido ele vai ficar ausente de ti!

    ResponderEliminar
  17. A falta é uma coisa complicada. Custumo dizer que gosto de sentir falta, porque é sinal que algo existe. Pior do que sentir falta, é mesmo ver o existir sair do nosso campo de visão. Fácil para os olhos deixarem de ver...mas o coração deixar de sentir falta da visão do existir? Ai, isso sim. Dói.
    Revi-me no teu texto e gostei muito do teu cantinho. Vou seguir ;)

    ResponderEliminar
  18. identifico-me em parte com o teu texto e sei o quanto dói. sei o quanto magoa cá dentro estas idas e voltas constantes. talvez no teu lugar tomaria a atitude que decidiste, lutava por mim e pela ausência das tais lágrimas sujas de que falas. porque se são sujas, é porque não valem mesmo a pena.

    um beijinho grande, e força

    ResponderEliminar
  19. "Vou esfregar na minha alma as palavras frias que me dizes quando acordas, até ao dia em que já não seja preciso."

    Adorei, adorei tanto :)

    ResponderEliminar
  20. tens toda a razão mafaldinha! mas é por se esquecerem que os temos que nos magoam!

    ResponderEliminar
  21. Podes crer que dá, dá mesmo. desculpa a demora!

    ResponderEliminar
  22. Minha linda. Se a historia for verdade, tens de ganhar coragem e dizer nem que seja um "volta" ou "desaparece". Se não for, os meus parabéns pela intensidade do texto! :)

    ResponderEliminar
  23. claro que sim mafalda. mas são acontecimentos da vida,não podemos virar costas a um coração partido porque na realidade,aconteceu mesmo. o que é que nesta vida nao doi?doi tanta coisa,e o sofrimento vai sempre nosso companheiro,só temos de aprender a conviver com ele

    ResponderEliminar
  24. Obrigada minha querida :') Amo o teu blog!

    ResponderEliminar
  25. Ainda bem isso deixa-me tão contente :D Fogo está lindo o que escreves-te (':

    ResponderEliminar
  26. o que lhe expliquei foi isto: o que escrevi tem a ver com esta ideia: imagina que tu não sabes bem quem és, quando finalmente descobres, quando te encontras, vais logo ser de alguém? acho que precisamos do nosso tempo para nos descobrirmos, de nos encontrarmos, sozinhos. e a parte do "nunca te vou poder pertencer" é porque é um amor que não tem nada para dar certo, que não está destinado.
    espero ter esclarecido :)

    ResponderEliminar
  27. Porque depois disso, vem as responsabilidades :S

    ResponderEliminar
  28. O pior sentimento das despedidas , e' que nao ha volta " marcada "

    ResponderEliminar
  29. hó, muito obrigada minha querida :))*

    ResponderEliminar
  30. e só nos estraga. parece que desfalecemos

    ResponderEliminar
  31. obrigada minha querida, muito obrigada
    **

    ResponderEliminar