deitada em grãos de areia e perdida em sacos de desejos, sobre um luar pouco banal, era a chuva de estrelas, tinha começado o nosso verãozão. entre experiências e confissões, muitas emoções, entre tendas e casinhas, rolotes de amiguinhos, conversas e batidinhas, um bocadinho p'ro alegrezinhos, o nosso grupão faz um ocupão. numa rodinha, grupinhos se fazem, e entre coros e paleios, entre mentiras e um insistir danado, com uma perspectiva destroçada da realidade e entre mexericos e mexicanos, umas mentiras se contam, umas mentiras se dizem. sem mais que fazer, espalhando de boca em boca, a fama se faz, a mentira se cria. mas perdidas em microfones, cantorias, iludidas pelo paraíso, nem se apercebem que os mexericos são relativamente a elas, a elas e a uma noite de horror, continuam, continuam gritando e não cantado, em cima do palco com o show já quase feito, entre quinze a vinte, sobre um nevoeiro que se formara, era mais o instrumental que o nanana da música. com desatinos e atrofios, com a melhor sorte para a fama, beijinhos da amizade já tinham sido trocados. e o destino já pregado e destacado, estava marcado, envolvera agora as rainhas, entre a ânsia de vontade de doces pecados. nas mistelas dos sonhos e nas mentiras de palhaços, perdidas caíram em bolhinhas de vontade, por entre a espuma e o esfregão, esfregaram tanto que ficaram com o bastão. entre o querer e querer muito, nada fica, os olhares mais cúmplices tornaram-se mais apetecíveis e estava já tudo programado, e entre um ou outro envolvente toque de mão, levara agora ao querer do coração, o impossível era dizer que não. depois de uma ou outra confusão, um gritão e um puxão, por um favor se reanimaram, não os sete, mas um dos sete pecados da perdição. envolventes pela noite, cobertos pela lua, sobre o efeito do esfregão, depois de um conversão, que levara ao suor do perdão. a conquista de mais uma ele já a tinha conseguido, não havia espaço para não mais querer, para não mais dizer. e um desejo de caminhar do frio ao quente, juntara, duas almas, entre lençóis de mentiras, cobertos de suor perdido e entrelaçados neles, enrolaram-se os dois, quase como montados, e ensonados, depois de um toque corporal intenso, quase sem remexer, adormeceram assim. e quando a noite fugiu do dia, nasceu um novo destino, e um último toque se fez notar, suave para não criar uma ilusão ou para não quebrar a perfeição, são uma ou duas questões que sempre ficarão. em frias noites de verão, em frias águas de sabão, em mágoas, revoltas e dores, um chegar e atirar se pôs. o azul incolor, ficara agora laranja e amarelo, e em mistelas de ilusões de cores de balões, o tempo passava e dia por dia, as bolinhas feitas em noites de rainhas, começavam a fazer contagem decrescente para rebentarem, reflectindo nelas, carinhas com a necessidade de envolver ciúmes e birrinhas parvinhas. entre amigos e amigas, coros e coroas, os dias iam passando e a vontade de ir ia trespassando. cegas e sem sentidos, sem perceber, deixavam-nos entrar e sair, e eles, sem entender porquê e como, tanto as tinham perto como se voltavam a desaparecer. mas jovens, sem capacidades, quase como desconhecidas, envolveram-se numa rua perdida de difícil retorno, quase como apaixonadas e comprometidas, disfarçadas como bem servidas, já se apercebiam de onde se cruzavam, e sabedoras mas pouco inteligentes, fecharam as portas e destacaram importância a uns que só queriam umas quaisqueres. e numa de se vingarem em si, um por aqui e outro por ali, o calorzinho da noite fria, já subia à garganta. danças e mestranças, uma exaltação de perdição, tornara possível uma nova oportunidade, um novo ideal. incapaz mas tentada, após um contar das estrelas, esse mesmo número de estrelas e com a ajuda da lua criou uma ligeira barreira entre ambos, que a fez gritar um não na solidão. perdida e mais tarde achada na escuridão por ti, eu sei, que estavas longe de algum dia seres a minha consciência de lucidez. e agora cobertas por inveja e pudor, e como ela o diz, da pouca iludida ilusão, e com mais uns quantos mantos de nojice sobre os nossos ombros e um papo na garganta bem seco, eles permaneceram, sem mais para receber e tanto por dar. as bolhinhas teimarão em fazer rebentar-se todas umas a seguir ás outras, mesmo à frente dos nossos narizes, talvez porque as tentamos apanhar e guardar no bolso, não sei. novos horizontes se construíram, e destacaram-se novas pessoas, mas a cicatriz que as cegara permanecera. e sabendo a história de cor, a história que não se deixava morrer apenas adormecer, já a nossa conhecida, tanto eu, tu, como eles, era sempre igual: a lua era sempre o mesmo pecado, o da ânsia, da vontade, porque a noite nunca os separara, apenas os unira. e após caminhos diferentes, estradas correntes de crescimento, estavam sempre longe mas sempre juntos, seguiam lados opostos mas encruzilhavam-se sempre na mesma saída, a lua sempre os tramara. mas açucaradas e meias aparvalhadas, mostrando o seu melhor, com vontade de ajudar, perderam-se na caixa do doce amargo sabor do açúcar. envolvendo crianças, discursaram sobre os erros que eles próprios já tinham cometido, falaram para lá das desilusões, das trocas e o sentir na pele o que uma vez e outra já fizeram. ressentidas e com mania, sem esperar, sem dependência, seguimos viagem até ás brisas do mar. e entre o vento de dor e saudade do amor, cantando com dor, iludidas por pudores de noites de amor, adormeceram mesmo ali, sobre as estrelas entre grãos de areia e o cheiro do mar. o mar, as ondas do mar, era como te descrevia, não só a ti, mas a ele, secalhar até mesmo a nós, era tão idêntico, nunca parados no mesmo sitio, tal e qual como as ondas, vão e vêm, tal e qual como as ondas. mas torrõezinhos de açúcar, com o coração que não disparava, avisadas e relembradas, envenenadas e baralhadas, nem uma pancada maior as despertava. interrogadas e convidadas era barras atrás de barras, eram enganadas. uma na esperança e outra molhada, por uma valente ilusão de jacto de água, ainda abananadas, sabíamos o que nos contavam e não nos importávamos. porque apesar de tanta perdição, sempre se convenceram e repetiram tantas vezes quanto preciso, que: não queriam mais do que já tinham dado, queriam apenas o que tinham para dar, queriam somente o que eles, ensinaram que elas iam ter. chocando e concordando, em vez de rasgarem as vendas, descoseram apenas um bocadinho, fizeram somente um furinho. todos repetiam e diziam que aprenderiam mais com quaisqueres outros que com os próprios, e sabendo e mais lúcidas, iam abrindo um olho de cada vez, mas já iam tarde, tarde para se desfazerem das bolhinhas que guardaram no bolso e pensaram que tinham rebentado, estas, agora pareciam aumentar. e por mais aventuras, entre lágrimas e abraços envolventes, um esquecimento teimava em não aparecer, parecia um entardecer de tudo. e o mal dito orgulho e teimosia, que se faziam notar quando menos deviam e que era difícil de travar, fazia piorar e deixar a vontade ficar. cobertas de respeito, respeito que esperavam e criavam, respeito pelos dois, as tentações eram guardadas e as explicações eram inegáveis, quase como o inevitável. entre trovoadas, chuvas e relâmpagos, o medo apoderou-se, cobertas de lama de alegrias e tristezas, que tanto as faziam rir como chorar, o fim do paraíso estava destinado a acontecer, arrecadavam a câmara e tiravam a saudade. entre trocas e promessas, juras perdidas, a noite da independência conquistamos. entre vitórias e cerimonias, o canto do último dia surgira. confissões fizemos, orgulhos mostramos, na última volta por tudo aquilo que nos fizera tornar mais forte, tudo o que aprendemos. e rindo a chorar, cantar para disfarçar, sentido pedrinhas no meio de confusões e malandrices, o cheiro do ‘sabor’ do vinagre, possibilitara um novo rumo, uma diferença. depois de atribulações, nojices e perdizes, a concretização de uma noite de desejo ainda agora começara. e entre lençóis de mentira e mantos de pecados, o suor da verdade escorre. pois um envolvente toque de mão, levara ao grito da paixão e perdição, que por baixo da lua, com o desejo da vontade, concretizara a junção da transparência de dois corpos em ânsia, sem tirar nem pôr. era quase como inevitável, era quase como planeado, impossível de se resistir. e de novo, a mesma lua que os acompanhara, a mesma lua que os separara. pois, a lua é sempre o pecado da paixão de verão. e foi já de dia, com a luminosidade do sabor, em que um último toque se deu, uma última volta aconteceu, um ultimo beijo se trocou. elas seguiram e eles ficaram. sem espaço para arrependimento, por uma estrada sem sabor e sem desamores seguiram, tornaram marcante e apaixonante o verão sem pudores. entre um circular de sentimentos, um sonho de sabão, uma perdição de ilusão, uma impressão de bastão, tudo contou e tornou o paraíso nisso mesmo. E com convicção se acentuou e gritou: O MELHOR VERÃO. e foi, sorrindo e com os olhos brilhantes que largaram as malas e bagagens no chão do coração, pois num encontro à realidade, já estavam na turbulência da cidade, sem o sinto de segurança, tornando tudo isto apenas imortal, não esquecemos só adormecemos. mas ainda assim, não fazendo planos para o futuro, quem sabe, um dia, no mesmo sitio, não possamos voltar a sentir a mão mais quente por a tua ter pousado por cima, quem sabe não estejamos novamente entre os grãos de areia a cantar que nem doidos, quem sabe não estejamos outra vez repletos de suor do pecado, quem sabe não estejamos juntos todos novamente, ninguém sabe.
=O
ResponderEliminarGOSTEI.
Lindo é os textos que tu escreves.
ResponderEliminarNão me agradeças Mafalda, asério. Faço-o de coração, não de cabeça... e o coração não pede agradecimentos.
ResponderEliminarJuro que amo a forma como sentes o que eu sinto!
OBRIGADO (L)
Tanta nostalgia e saudade , é o querer-voltar-e-não-poder . Ficam as memórias x)
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